Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Velejando por águas calmas com alguns poetas e pintores

 

O to sail to sea in a ship!
To leave this steady unendurable land,
To leave the tiresome sameness of the streets, the sidewalks and the houses,
To leave you O you solid motionless land, and entering a ship,
To sail and sail and sail!


O to have life henceforth a poem of new joys!
To dance, clap hands, exult, shout, skip, leap, roll on, float on!
To be a sailor of the world bound for all ports,
A ship itself, (see indeed these sails I spread to the sun and air,)
A swift and swelling ship full of rich words, full of joys.
 [1]

[Ó velejar o mar num barco!
Para deixar essa terra firme e inaturável,
Para deixar a monotonia cansativa das ruas, das calçadas e das casas,
Para deixar-te ó sólida e imobilizada terra, e entrando num barco,
Velejar e velejar e velejar!

Ó para ter a vida de agora em diante um poema de novas alegrias!
Para dançar, bater palmas, exultar, gritar, pular, saltitar, rolar, flutuar!
Para ser um marinheiro do mundo, aberto a todos os portos,
O próprio barco, (veja, de facto, as velas que abro para o sol e o ar,)
Um barco rápido e crescente cheio de palavras ricas, cheio de alegrias.]

vp0fig. 1 - Edward Hopper (1882-1967) Long Leg 1930, óleo s/ tela 50.8 x 76.8 cm. colecção particular.

Não vou aqui falar dos barcos à vela que, durante séculos serviram para a pesca, para o comércio, para a descoberta e exploração do mundo e mesmo para a guerra. Nem das suas histórias trágicas de naufrágios, batalhas ou tráfico de escravos.

Vou apenas referir-me ao que resta dessa navegação: a vela de recreio, a vela desportiva, e os poucos grandes veleiros que ainda cruzam os mares, como os navios-escola.

vp1fig. 2 - Eugene Louis Boudin (1824 -1898), Ships and Sailing Boats Leaving Le Havre 1887, óleo sobre tela 90,2 x 130,5 cm. The National Gallery of Art. Washington. USA.

Velejando

Il luminoso azzurro del mare al mattino,
del cielo senza nubi, e la riva citrina:
tutto qui è bello nella piena luce.
 [2]

[O luminoso azul do mar pela manhã, / Do céu sem nuvens, e a citrina margem: / Tudo aqui é belo nesta luz plena.]

vp2fig. 3 - Carlo Carrà (1881-1966) Marina 1940, óleo s/ cartão 40 x 49,5 cm. Museo del Território Bielese.

Só quem navegou num barco à vela, por águas calmas, fosse num grande navio ou numa pequena embarcação, pode compreender o sentido de autêntica comunhão que se estabelece com a natureza.

E nesse locus aemenus, nesse aprazível velejar, nada mais interessa. Tudo o que nos preocupa, esquecemos ou adiamos. Os problemas que a vida nos provoca desaparecem nas asas do vento brando, nesse aprazível embalo que nos acaricia o corpo e afaga a alma.

Qu’importe! Ici tout berce, et rassure, et caresse.
Plus d’ombre dans le cœur ! plus de soucis amers!
Une ineffable paix monte et descend sans cesse
Du bleu profond de l’âme au bleu profond des mers.
[3]

[Que importa! Aqui tudo embala, e nos dá segurança, e acaricia. / Não mais sombra na alma! Não mais amargas preocupações! /Uma inefável paz sobe e desce continuamente / Do azul profundo da alma para o azul profundo dos mares.]

vp3fig. 4 - Thomas Eakins (1844–1916) Starting out after rail 1874, óleo s/ tela 61,59 x 50,48 cm. Museum of Fine Arts Boston.


[1] Walt Whitman (1819 -1892), A Song of Joys in Leaves of Grace 1891-92 The Walt Whitman Archive. (pag.148).

[2] Konstandinos Kavafis (1863-1933), Itaca, Tottu sas poesias boltadas in italianu e in sardu da Gian Gavino Irde. Aipisa Edizioni. Regione Autonoma de Sardigna. Cagliari 2010, (pág. 114 ). Traduzido do italiano. O poema em italiano: Mare al mattino
Fermarmi qui. Guardare anch’io un poco la natura.
Il luminoso azzurro del mare al mattino,
del cielo senza nubi, e la riva citrina:
tutto qui è bello nella piena luce.
Fermarmi qui. E illudermi di vedere
ciò che vidi fermandomi un istante:
non le mie fantasticherie, anche qui,
i miei ricordi, le false visioni del piacere.

[3] Victor Hugo (1802-1885), Promenades sur les rochers, Deuxième Promenade du Le Livre Lyrique in Les Quatre vents de l’Esprit . Tome Second. J. Hetzel – A. Quantin, Éditeurs. Paris 1881. (pág.184).

O barco à vela

Comecemos por, sem querer fazer a história da embarcação à vela, evocar o poeta António Gedeão [1], o qual melhor do que ninguém e em apenas quatro versos, sintetiza a sua origem:

Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do sol.
[2]

vp4fig. 5 - Winslow Homer (1836-1910) Boy in a small boat 1880 aguarela e lápis sobre papel 23,5 x 34,29 cm. colecção particular.

Outros, poeticamente, sabem que se de noite eram barcos, de manhã são aves. [3]

Podem então imaginar que foi um cisne, espuma e exemplo vivo de nave [4] algures no tempo e no espaço, que maravilhosamente se transformou em barco à vela.

Assim o afirma Gaston Bachelard:

Le cygne semble une beauté travaillée par les eaux, lissée par le courant. On a cru longtemps qu’il avait été le premier modèle des bateaux, le profil optimum de l’esquif. Les voiles copieraient le rare spectacle des ailes dressées dans la brise. [5]

[O cisne parece uma beleza moldada pelas águas, polida pela corrente. Acreditou-se durante muito tempo que foi o modelo dos barcos, o perfil optimizado do veleiro. As velas copiariam o raro espectáculo das asas levantadas pela brisa.]

E o cisne aparece associado ao moliceiro de Ilhavo numa vinheta de 1932.

vp5fig. 6 - Vinheta na revista Costa Nova, CMI, 1932. No blogue Marintimidades http://marintimidades.blogspot.pt/2010_07_01_archive.html

E assim se entende que Berthe Morisot [6] associe um cisne a uma embarcação, onde segue uma jovem, numa pintura do final do século XIX.

vp6fig. 7 - Berthe Morisot (1841-1895) En Bateau 1892, óeo s/ tela 41 x 33 cm. colecção particular.

E devemos lembrar que para Saint Exupéry é o gosto pelo mar que justifica a construção duma embarcação: Créer le navire ce n’est point tisser les toiles, forger les clous, lire les astres, mais bien donner le goût de la mer qui est un, et à la lumière duquel il n’est plus rien qui soit contradictoire mais communauté dans l’amour. [7]

[Criar a embarcação não é só tecer as velas, forjar os pregos, ler os astros, mas sobretudo dar o que é o gosto do mar, à luz do qual nada há que seja contraditório mas tudo é comunhão no amor.]


[1] António Gedeão, pseudónimo de Rómulo Vasco da Gama de Carvalho (1906-1997), professor de Física e Química nos Liceus Pedro Nunes e Camões em Lisboa e membro da Academia das Ciências.

[2] António Gedeão Poema da malta das naus In Teatro do Mundo,1958 in Obra Completa, Notas Introdutórias de Natália Nunes. Relógio D'Água Lisboa 2004 (pág.151).

[3] Eugénio de Andrade, in Poesia. Rosto Editora, Vila Nova de Gaia 2011. (pág. 603 e 604).

[4] Fernando Echevarria (1929) poema Cisne in Obra acabada. Afrontamento 2006.

[5] Gaston Bachelard, l’eau et les rêves Librairie José Corti (1ª ed. 1942), Paris 1993. (pág. 57).

[6] Berthe Marie Pauline Morisot  (1841-1895), pintora impressionista francesa.

[7] Antoine de Saint-Exupéry, Citadelle. Section: LXXV (1948). Éditions Gallimard, Paris 1959. (pág.687).

 

Velejar no mar

Foi no mar que aprendi o gosto da forma bela
Ao olhar sem fim o sucessivo
Inchar e desabar da vaga
A bela curva luzidia do seu dorso
O longo espraiar das mãos da espuma.
 [1]

Aparelhado o barco, pronto para velejar, regresso, mar, ao gosto forte / Do sal que o vento traz à minha boca… [2]

vp15fig. 8 - Pierre Auguste Renoir (1841-1919) La Seine a Argenteuil 1874. Óleo sobre tela 50 × 65 cm. Portland Museum of Art.USA.

E chego ao mar com todos os sentidos, envolvendo o meu corpo com esse doce calor e embriagante salgado sabor, e tranquilo respirar o cheiro a alga da maresia. [3]

vp7fig. 9 - Gustave Caillebotte (1848-1894) Le bateau jaune 1891, óleo sobre tela 92,1 x 73 cm. Norton Simon Museum, Pasadena, CA, USA.

E velejando, quando se transforma a vela em nuvem clara, escuto essa música tranquila e serena, o murmúrio das ondas acompanhado do lamento assíduo de gaivotas [4]

vp8fig. 10 - Vladimir Nikolaevich Fedorovich (assinado Владимир Николаевич Федорович ) 1871-1928 Águas Calmas (спокойные воды), 1910 óleo s/ tela 187 x 115 cm. Sotheby’s.


[1] Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), Foi no Mar que aprendi de O Búzio de Cós in Obra Poética, Assírio & Alvim Porto 2015. (pág. 863).

[2] José Saramago (1922-2010) in “Os poemas possíveis” – “Nesta esquina do tempo” 1966 – 6ª edição Editorial Caminho S.A. 1997 (pág.129).

[3] Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), poema Os Amigos (1993) de Musa 3º Andamento, in Obra Poética, Assírio & Alvim Porto 2015. (pág. 847).

[4] Salvatore Quasimodo (1901-1968), S’ode ancora il mare in Giorno dopo giorno 1947. In Cristina Menghini e Patrizio RigheroCaminando sull’acqua Itenerari spirituali per viverei l mare, Effata Editrice Torino 2003.(pág. 21). O poema completo:

Già da più notti s'ode ancora il mare,
lieve, su e giù, lungo le sabbie lisce.
Eco d'una voce chiusa nella mente
che risale dal tempo; ed anche
questo
lamento assiduo di gabbiani
: forse
d'uccelli delle torri, che l'aprile
sospinge verso la pianura. Già
m'eri vicina tu con quella voce;
ed io vorrei che pure a te venisse,
ora, di me un'eco di memoria,
come quel buio murmure di mare.

[Desde há algumas noites se ouve ainda o mar, / leve, para cima e para baixo, ao longo das areias suaves. / Eco de uma voz na mente / que data do tempo; e também este / lamento assíduo de gaivotas: talvez / os pássaros das torres, que o abril / empurra para a planície. Já / tu me estavas perto com aquela voz; / e eu queria que também a ti viesse, / agora, em mim um eco da memória, / como aquele escuro murmúrio de mar.]

Procurando os segredos do mar

"Wouldst thou,"--so the helmsman answered,
  "Learn the secret of the sea?
Only those who brave its dangers
   Comprehend its mystery!"
[1]

["Poderás tu," - assim perguntou o timoneiro, / "Aprender o segredo do mar? / Somente aqueles que enfrentam os seus perigos / Compreendem os seus mistérios! "]

vp10fig. 11 - Carlo Carrà (1881-1966), Pescadores 1929 óleo s/ tela 136 x 111 cm. Galleria d'Arte Moderna Mailand.

The fair breeze, the white foam flew,
The furrow followed free:
We were the first that ever burst
Into that silent sea
. [2]

[A branda brisa soprou, a branca espuma voou, / A esteira segue livremente: / Fomos os primeiros a irromper / Por aquele mar silencioso.]

vp11fig. 12 - Egornov Semenovich Alexandr (1858-1902) le Havre 1897, óleo s/ tela 63,5 x 95 cm. vendida pela leiloeira Bukowskis de Helsinquia a colecção particular.

Mas para alcançar os segredos do mar, é preciso ir embora no vento, ir embora no tempo, e descobrir no horizonte o perfeito sentimento de liberdade, nesse horizonte de utopia [que] fija la proa y la ilusión [3]

E esse horizonte realiza-se no sonho, como sabemos com Pessoa, e

…é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp’rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -
Os beijos merecidos da Verdade.
 [4]

vp12fig. 13 - Caspar David Friedrich (1774-1840), On the Sailing Boat 1818-20. Óleo sobre tela, 71 × 56 cm. The State Hermitage Museum, St Petersburg.

E por isso na hora em que o sol cobre d’ouro o lúcido mar [5] partimos apenas para sentir o vento enfunando as velas, o salpicar da água salgada que salta da proa abrindo as ondas, o navegar nas águas serenas pelo puro prazer de velejar.

Sabendo que les vrais voyageurs sont ceux-là seuls qui partent /Pour partir; coeurs légers, semblables aux ballons. [6]

[os autênticos viajantes são os que partem/por partir; corações ao alto, como se fossem balões.]

Por isso ao grito: Largai as velas que o mar é largo! / Para longe, para o fim de tudo! [7] eu corto as ondas sem desanimar. /Em qualquer aventura / O que importa é partir, não é chegar. [8]

vp13fig. 14 - Theo van Rysselberghe (1862-1926), Homem do leme 1892. Óleo s/tela 60,2 x 80,3 cm. Musée de Orsay. Paris.


[1] Henry Wadsworth Longfellow (1807-1882) The secret of the sea de The Seaside and the Fireside 1850, in Henry Wadsworth Longfellow Poems Complete in two volumes, Ticknor and Fields Boston M DCCC LXII. (pág. 316).

[2] Samuel Taylor Coleridge (1772-1834) The rime of the ancient marinere (part II est.5 versos 99 a 102) in William Wordsworth (1770-1850), Samuel Taylor Coleridge Lyrical Ballads, with a few other poems. Printed for J. & A. Arch, London 1798. (pág.12).

[3] Antonio Porras Cabrera, Mi Barco Velero, Málaga, 9 de febrero de 2013. http://antoniopc.blogspot.pt/

[4] Fernando Pessoa (1988-1935), Horizonte de Mensagem, Segunda Parte- Mar Portugez, in Obra Poética Companhia Aguilar Editora, Rio de Janeiro 1965. (pág. 78).

[5] A l'heure où le soleil dore la mer lucide, Émile Verhaeren (1855-1916), Les Souffrances in La Multiple Splendeur, poèmes, quatrième edition, Société dv Mercure de France, XXVI, Rve du Condé XXVI, Paris MCMVII. (pág.144).

[6] Charles Baudelaire Le Voyage in Les Fleurs du Mal, seconde édition, augmenté de trente-cinq poèmes nouveaux et orné d’un portrait de l’auteur, dessiné et grave par Bracqmond, Portet Malassis et de Brosse, Éditeurs, 97, rue de Richelieu et Passage Mirès, 36, Paris 1861.(pág. 306).

[7] Paulo Corrêa Lopes (1898-1957) Largai as Velas in Obra Poética Paulo Corrêa Lopes (1898-1957) 1ª edição 1958, 2ª edição IEL / EDIPUCRS FAPERGS, Porto Alegre 1991. (pág. 75).

[8] Miguel Torga (1907-1995), Viagem in Câmara Ardente:poemas 1ªedição Coimbra 1962.

Velejar nos Ventos da Liberdade

— J'aime le vent, l'air et l'espace;
Et je m'en vais sans savoir où,
Avec mon coeur fervent et fou,
Dans l'air qui luit et dans le vent qui passe…
[1]

[Amo o vento, o ar e o espaço; / E vou partir sem saber para onde, / Com o coração ardente e louco, / No ar que brilha e no vento que passa…]

Velejar é saber encontrar e usar o vento, é saber então caçar as velas e marear. E marear é saber os sítios onde o melhor vento nos faz mais tranquila e eficazmente navegar.

E o vento, ou os ventos, sempre estiveram associados à liberdade.

Na antiguidade, Éolo o deus do vento, inventou a vela para nos ajudar a navegar, e aprisionou os irrequietos Ventos, para melhor os controlar.

Mas Juno segundo Virgílio na Eneida ordena a Éolo, que liberte os ventos que havia aprisionado, prometendo-lhe em troca a ninfa Jove e o reino da Eólia.

Aeolus haec contra: 'Tuus, O regina, quid optes
explorare labor; mihi iussa capessere fas est.
Tu mihi, quodcumque hoc regni, tu sceptra Iovemque
concilias, tu das epulis accumbere divom,
nimborumque facis tempestatumque potentem.
 [2]

[Ao que Éolo responde: Coisa tua, oh rainha, saber / O que desejas; a mim cumpre aceitar as tuas ordens. / Tu me dás este reino e o seu ceptro e Jove, / E tu me concedes assistir aos banquetes dos deuses.]

vp14fig. 15 - François Boucher (1703-1770) Junon demandant à Éole de libérer les vents 1749, óleo sobre tela 228 x 201 cm. Kimbell Art Museum, Fort Worth, Texas USA.

E Tennynson põe os ventos a cantar a sua liberdade:

The winds, as at their hour of birth,
Leaning upon the ridged sea,
Breathed low around the rolling earth
With mellow preludes, '”We are free.”
 [3]

[Os ventos, como na hora do seu nascimento, / Apoiando-se no mar encrespado, / Sopravam baixinho em torno da Terra que gira / Com prelúdios harmoniosos: “Somos livres”]

Os quatro ventos

Apesar de serem invisíveis são representados por figuras masculinas soprando.

Para a mitologia grega os ventos (Anemoi), inicialmente, eram quatro: Bóreas, Zéfiro, Euro e Noto.

Estão representados por Michelangelo em O Juízo Final soprando em trombetas.

vp21fig. 16 - Michelangelo Buonarroti (1475-1564) Pormenor de O Juízo Final 1535-1541, fresco 1370  × 1200 Capela Sistina Vaticano.

Os ventos irão aumentando mas os quatro irão manter-se como principais. Para Aristóteles eram doze, e no século XVII já figuravam 32 na rosa-dos-ventos de Jan Jansson.

vp43fig. 17 – Jan Jansson ( Johannes Janssonius 1588-1664) Rosa-dos-ventos, in Tabula Anemogra Phica feu Pyxis Navtica: ventorum nomina fex lin : guid repræfentans. c. 1650. Quinquagésima parte do Grande Atlas Amstelodami: apud Ioannem Ianssonium, 1650. National Library of Australia.

Bóreas o áspero vento norte é representado por uma figura algo desagradável, que sopra chuva e gelp.

vp43afig. 18 – Bóreas o vento norte.Pormenor da figura 17.

Zéfiro o suave vento oeste, é pelo contrário, representado por um jovem que está coroado de flores e o seu sopro também é florido.

vp43bfig. 19 – Zéfiro o vento oeste. Pormenor da figura 17.

E os dois principais ventos, Bóreas e Zéfiro, estão representados em pinturas Botticelli.

Bóreas o áspero e frio vento norte, está representado na Primavera, perseguindo a ninfa Clóris que transformará na deusa da Primavera, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz. [4]

vp20fig. 20 - Sandro Botticelli A Primavera 1482, têmpera s/ madeira 203 x 314 cm. Galeria Uffizi, Florença.

vp20afig. 21 – Pormenor da Primavera de Botticelli com Boreas perseguindo Clóris.

Mas suavemente se espalha com prazer/ o alto sussurro do amável Vento,[5] que é o suave Zéfiro, e que aparece representado no Nascimento de Vênus, enlaçando a esposa Íris (o arco-íris) e soprando para empurrar para a margem a concha que transporta a deusa.

vp44fig. 22 - Sandro Botticelli O Nascimento de Venus 1483, têmpera s/ tela 172,5 x 278,5 cm. Galeria Uffizi, Florença.

vp19afig. 23 – O vento Zéfiro com Iris. Pormenor de O Nascimento de Vênus.

Renée Vivien numa bela passagem do seu poema em prosa intitulado Os Quatro Ventos associa Zéfiro, o vento do oeste, ao Mar.

Comme je m’acheminais vers la colline, je rencontrai le Vent de l’Ouest. Il était vêtu de vert tendre et sa couronne de perles rayonnait. Il me dit: “Laisse-moi t’emporter vers la mer.Tu verras l’infini des horizons ruisselants et le charme mystique des brumes, le passage des voiles dont la blancheur légère se colore, vers le soir, de violet et d’orange, et l’étendue fabuleuse des Océans.” [6]

[Como eu me encaminhava para a colina, encontrei o Vento do Oeste. Vestia de um suave verde e a sua coroa de pérolas brilhava. Ele disse-me: Deixa-me levar-te para o mar.Tu verás o infinito dos horizontes resplandecentes e o encanto místico das brumas, a passagem das velas cuja brancura suave, ao pôr-do-sol, ganha tons de violeta e laranja, e verás a fabulosa imensidão dos Oceano.]

Nos pequenos veleiros para saber a direcção do vento coloca-se na extremidade do mastro uma girouette (cata-vento), por vezes simplesmente a pena de uma ave girando num eixo vertical que pode ser um fino prego.

O poeta Robert Desnos escreveu um delicioso poema para crianças chamado Girafa em que brinca com o nome deste animal e com a girouette (cata-vento), já que ambos estão num ponto alto.

La girafe et la girouette,
Vent du sud et vent de l’est,
Tendent leur cou vers l’alouette,
Vent du nord et vent de l’ouest……
[7]

[A girafa e a girouette, / Vento sul e vento leste / Esticam o pescoço para a andorinha / Vento norte e vento oeste…]


[1] Émile Verhaeren (1855-1916), A la gloire du Vent in La Multiple Splendeur, poèmes, quatrième edition, Société dv Mercure de France, XXVI, Rve du Condé XXVI, Paris MCMVII. (pág.79).

[2] Virgílio Eneida Livro I, versos 88 a 92.

[3] Lord Alfred Tennynson (1809-1892) Song in The Complete Poetical Works of Tennyson, Houghton Mifflin Company Boston The Riverside Press, Cambridge Massachusetts 1898. (pág.7).

[4] Cecília Meireles (1901-1964), Primavera in Obra em Prosa, volume 1, Editora Nova Fronteira .Rio de Janeiro, 1998.(pág. 366).

[5] Margherita Costa (c. 1600 – after 1657) Soavemente spande si gradito / L'alto sussurro de l'amabil Vento; de Flora Feconda, Canto Secondo in Flora Feconda Poema di Margherita Costa, Romana Dedicato all’Altezza Serenissima di Ferdinando Secondo G: Duca di Toscana: In Fiorenza Nella Stamperia Nuova del Massi, e Landi. 1640. (pág.35).

[6] Renée Vivien, pseudónimo de Pauline Mary Tam (1877-1909), Les Quatre Vents in Brumes des Fjords. Alphonse Lemerre Éditeur, 23-31 Passage Choiseul, Paris MDCCCII. (pág. 10).

[7] Robert Desnos (1900-1945), La Girafe in Chantefables et Chantefleurs, 1944-1945 Bibliotheque numèrique romande https://ebooks-bnr.com 1952. (pág.27 e 28).

Os pontos cardeais e os cavalos do vento

Na Bíblia (Zacarias 6. 1,5) Oitava visão: os carros. 1 De novo levantei os olhos e tive uma visão: eis que quatro carros saíam de entre as duas montanhas; e as duas montanhas eram de bronze. 2 No primeiro carro havia cavalos vermelhos; no segundo carro, cavalos negros; 3 no terceiro carro, cavalos brancos e no quarto carro, cavalos malhados. 4 Tomei então a palavra e perguntei ao anjo que falava comigo: “Que significam estes, meu senhor?” 5 O anjo respondeu: “Eles avançam em direcção aos quatro ventos do céu, depois de terem estado na presença do Senhor de toda a terra.

E por isso Bachelard associa os quatro ventos aos quatro pontos cardeais e aos quatro elementos primordiais.

L’âme qui aime le vent s’anime aux quatre vents du ciel. Pour beaucoup de rêveurs, les quatre points cardinaux sont surtout les quatre patries des grands vents. Les quatre grands vents nous paraissent, à bien des égards, fonder le Quatre cosmique. Ils livrent la double dialectique du chaud et du froid, du sec et de l’humide. [1]

[A alma que ama o vento anima-se pelos quatro ventos do céu. Para muitos sonhadores, os quatro pontos cardeais são sobretudo as quatroa pátrias dos grandes ventos. Os quatro grandes ventos parecem, de muitos pontos de vista, fundar o Quatro cósmico. Eles representam a dupla dialéctica do quente e do frio, do seco e do húmido.]

Na mesma citação da Bíblia, os ventos são associados aos cavalos que puxam cada um dos carros.

Os ventos sempre foram associados aos cavalos, pela força, pela rapidez e sobretudo pela sua liberdade, como o afirma Manuel Alegre:

Quem poderá domar os cavalos do vento
quem poderá domar este tropel
do pensamento
à flor da pele?
[2]

E Sophia refere os quatro cavalos do vento nas suas quatro direcções:

E ao Norte e ao Sul
E ao Leste e ao Poente
Os quatro cavalos do vento
Sacodem as suas crinas.
 [3]

E os cavalos do vento são ainda associados ao mar porque são eles que puxam o carro de Neptuno.

Working Title/Artist: The Return of NeptuneDepartment: Am. Paintings / SculptureCulture/Period/Location: HB/TOA Date Code: Working Date: 1754
Digital Photo File Name: DT201337.tif
Online Publications Edited By Steven Paneccasio for TOAH 06/17/15fig. 24 - John Singleton Copley (1738–1815) The Return of Neptune c.1754, óleo sobre tela 69,9 x 113 cm. The Metropolitan Museum of Art.

— Si j'aime, admire et chante avec folie,
Le vent,
Et si j'en bois le vin fluide et vivant
Jusqu'à la lie,
C'est qu'il grandit mon être entier et c'est qu'avant
De s'infiltrer, par mes poumons et par mes pores,
Jusques au sang dont vit mon corps,
Avec sa force rude ou sa douceur profonde.
Immensément, il a étreint le monde.
 [4]

[- Se eu amo, admiro e canto loucamente / O vento, / E se dele bebo o vinho fluido e vivo / Até a última gota, / Foi porque ele faz crescer todo o meu ser e porque antes / De se infiltrar nos meus pulmões e nos meus poros, / Até ao sangue de que vive o meu corpo, / Com a sua rude força ou a sua doçura profunda. / Imensamente, ele abraçou o mundo.]


[1] Gaston Bachelard (1884-1962), L’air et les songes, Essai sur l’imagination du mouvement. (1943). Librairie José Corti, 1943. 17e réimpression, Paris 1990. (pág.269).

[2] Manuel Alegre Canção tão simples in Praça da Canção (1965) - O Canto e as Armas (1967), 12ª edição. D. Quixote 2000. (pág.225).

[3] Sophia de Mello Breyner Andresen, Marinheiro sem Mar de Mar Novo in Obra Poética, Assírio & Alvim Porto 2015. (pág. 361).

[4] Émile Verhaeren (1855-1916), A la gloire du Vent in La Multiple Splendeur, poèmes, quatrième edition, Société dv Mercure de France, XXVI, Rve du Condé XXVI, Paris MCMVII. (pág.83).

 

Velejando tranquilamente por águas calmas

Mas o velejar feliz é sentir a brisa, o sopro doce das asas do vento brando.

Velejar é saber encontrar e usar o vento, é saber então caçar as velas e marear de forma que a suave brisa /enfunando as velas /empurra suavemente o meu veleiro/ em todo o seu esplendor. [1]

vp16fig. 25 - Nikolaos Lytras (1883-1927) Boat with Sail 1923-1926, óleo sobre tela colecção particular.

Os quatro elementos no velejar

Ao velejar por águas calmas todos sentimos pertencer ao universo, saboreando da natureza os quatro elementos primordiais: Terra, Água, Ar e Fogo.

vp23fig. 26 - Dirc van Delf (activo 1365-1404), Os Quatro Elementos na letra capitular da fol. 15 r, de Duke Albrecht's Table of Christian faith (winter part), Tafel van den Kersten ghelove 1400-1404, 165 folhas, pergaminho 13,7 x 18,8 cm. Impresso em Utrecht, Holanda. Walters Art Museum. Baltimore, Maryland.

Escolhemos um mapa-mundo de Justus Danckerts (1635-1701), que em cada um dos seus quatro cantos figura uma alegoria de cada elemento.

vp22fig. 27 - Justus Danckerts (1635-1701), Nova Totius Terrarum Orbis Tabula, 1682-1695. The College of Charleston Libraries.

O Fogo, porque neste velejar feliz, nessa claridade que respiramos, somos sempre confortados pelo calor do sol.

vp22afig. 28 – Alegoria do Fogo. Pormenor da fig.25.

O Ar, porque o barco é empurrado por esses ventos invisíveis, que só a vela ou as nuvens nos podem fazer ver.

vp22bfig. 29 – Alegoria do Ar. Pormenor da fig.25.

A Água, porque é nela que navegámos, embalados pelas águas de um mar, de um rio ou de um lago.

vp22dfig. 30 – Alegoria da Água. Pormenor da fig.25.

A Terra, porque de início era dela que tirávamos a madeira com que esculpíamos os cascos e os mastros; nestes alçávamos velas que eram apenas panos tecidos de linho ou de algodão.

vp22cfig. 31 – Alegoria da Terra. Pormenor da fig.25.

Num desenho de Leonardo Da Vinci, uma embarcação é associada ao elemento Terra. O barco de madeira conduzido pelo lobo ostenta um mastro que é uma árvore com folhagem e onde a vela redonda está amarrada com uma verga transversal.

vp18fig. 32 - Leonardo Da Vinci Alegoria com lobo e águia 1516, giz 17 x 28 cm. Windsor United Kingdom in WahooArt.com

E Shakespeare evoca os quatro elementos para os associar ao cavalo que corre como o vento.

Dauphin - When I bestride him, I soar, I am a hawk: he trots the air; the
earth sings when he touches it;…


…he is pure air and fire; and the dull elements of earth and water never appear in him, but only in patient stillness while his rider mounts him: he is indeed a horse; and
all other jades you may call beasts.
[2]

[Delfim - Quando eu nele monto, eu voo, sou como um falcão: ele corta o ar; a terra canta quando ele nela toca;…

…é puro ar e fogo; e os elementos pesados, da terra e da água, só nele surgem no momento em que, tranquila e pacientemente, espera que o seu dono o monte: é de facto um cavalo; e a todos os outros estafados pode chamar-lhes bestas.]


[1] Antonio Porras Cabrera, (n.1951) Mi barco velero Málaga, 9 de febrero de 2013 in Cosas de Antonio http://antoniopc.blogspot.pt/2013/02/mi-barco-velero.html

La suave brisa
inflándole el velamen
empuja suavemente a mi velero
en todo su esplendor.

[2] William Shakespeare Henry V act III, scene VII, in Shakespeare’Henry V, Edited by Frederick Houk Law, A.M., Ph.D. Head of the Departement of English, The Stuyvesant Hight School, City of New York. American Book Company New York Cincinnati Chicago 1914. (pág.64 e 65).

 

O velejar romântico

Viens sur la mer, jeune fille;
Sois sans effroi.
Viens, sans trésor, sans famille,
Seule avec moi.
Mon bateau sur les eaux brille;
Vois ses mâts, vois
Son pavillon et sa quille
Ce n'est rien qu'une coquille
Mais j'y suis roi.
[1]

[Vem para o mar, bela jovem / Não tenhas medo./ Vem, sem tesouro, sem família, / Somente comigo. / O meu barco brilha sobre as águas; / Olha os seus mastros, vê / A flâmula e a quilha / Não é mais do que uma concha / Mas aqui eu sou o rei.]

XIR10073fig. 33 - Édouard Manet (1832-1883) Argenteuil 1875 óleo s/ tela 115 x 149 cm. Musée des Beaux-Arts, Tournai França.

E do abrigo de um porto, partimos pelo mar aberto apaixonadamente, no teu rosto aberto sobre o mar / cada palavra era apenas /o rumor / de um bando de gaivotas /a passar. [2]

vp24fig. 34 - Édouard Manet (1832-1883), En bateau 1874. Óleo sobre tela 97,1 x 130,2 cm. Metropolitan Museum of Art New York USA.

E tranquila e repousadamente quand se gonflent, aux vents atlantiques, les voiles / et que vibrent les mâts et les cordages clairs… [3] navegar nos teus braços embalado pelas águas…

[Quando se enchem aos ventos atlânticos, as velas  / E que vibram os mastros e os cabos claros…]

vp25fig. 35 – Émile Friant (1863-1932) la petite barque 1895, óleo s/ tela 49,5 x 61 cm. Musée des Beaux-Arts de Nancy.


[1] Alfred de Vigny (1797-1863), le bateau in Poëmes. Livre Moderne. Oeuvres de A. de Vigny. Meline, Cans et Compagnie. Librairie, Imprimerie, Fonderie. Bruxelles 1837. (pág. 352).

[2] Eugénio de Andrade, Sopro in Primeiros poemas; As mãos e os frutos; Os Amantes Sem Dinheiro, Limiar Porto 1980. ( pág 95).

[3] Émile Verhaeren (1855-1916), A la gloire du Vent in La Multiple Splendeur, poèmes, quatrième edition, Société dv Mercure de France, XXVI, Rve du Condé XXVI, Paris MCMVII. (pág.130).

E traz um amigo também…

Não percas tempo que o vento
É meu amigo também

Não percas tempo que o vento

É meu amigo também… [1]

vp28fig. 36 - Pierre Bonnard (1867-1947), Signac et ses amis en barque 1924, óleo s/ tela 124,5 x 139 cm., Kunsthaus Zürich.

Num grupo de amigos e amigas, marear num dia de sol…

vp27fig. 37 - Edward Hopper (1882-1967), Ground Swell 1939, óleo s/ tela 93 x 127 cm.Corcoran Gallery of Art.

E no final a festa à mesa…

vp30fig. 38 - Auguste Renoir, Le Déjeuner des Canotiers 1881, óleo s/ tela 130 x 173 cm. The Phillips Collection Museum, Washington.

E, sem esquecer as crianças, numa outra associação da paixão pela vela e do velejar amoroso pela infância, o refrão de uma canção popular recolhida por Pedro Fernandes Thomás:

Deita-te á proa do barco,
Lindo bem
Dorme um sono descançado (bis).
 [2]

vp26fig. 39 - Winslow Harper (1836 – 1910) Breezing Up (A Fair Wind) 1873-1876, óleo s/ tela 61,5 x 97 cm. The National Gallery of Art. Washington.


[1] Zeca Afonso (José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos 1929-1987) Traz outro amigo também, álbum gravado nos estúdios PYE Londres 1970.

[2] Senhora da Encarnação, canção recolhida na Figueira da Foz in Pedro Fernandes Thomas, Cantares do Povo (Poesia e Musica) Prefaciado por António Arroyo. F, França Amado, Editor. Coimbra 1919. (pág. )

 

Uma breve referência à vela desportiva

A primeira regata à vela terá sido realizada no rio Tamisa, entre o rei Carlos II (1630 – Londres, 6-1685) e o irmão Jaime Duque de York (1633-1701).

O mais antigo clube de vela foi o Royal Cork Yacht Club fundado em 1702 na Irlanda, e em 1775 cria-se o Cumberland Fleet mais tarde Royal Yacht Club.

vp32fig. 40 - Joseph Mallord William Turner (1775–1851) East Cowes Castle, the Seat of J. Nash, the Regatta Beating to Windward 1828, óleo s/ tela 90,2 x 120,7 cm. Indianapolis Museum of Art.

Em 1851 realiza-se uma regata organizada pelo Thames Yacht Club e pelo New York Yacht Club, que deu origem à America’s Cup, ainda hoje disputada. No quadro de Fitz Hughe Lane note-se a presença do barco a vapor que irá tornar obsoleto o veleiro como meio de transporte.

vp34fig. 41 - Fitz Hugh Lane (1804-1865) The Yacht “America” Winning the International Race 1851, óleo s/tela 24 ½ x 38 ¼ in. Peabody Museum of Salem.

vp35fig. 42 - Fitz Hugh Lane (1804 -1865) New York Yacht Club Regatta 1853, óleo s / tela 28 x 50 ¼ inch colecção particular.

A vela e as regatas sempre exerceram um fascínio nos pintores impressionistas como Monet.

Working Title/Artist: Monet: Regatta at Sainte-AdresseDepartment: European PaintingsCulture/Period/Location: HB/TOA Date Code: Working Date: 
photography by mma, Digital File DT1401.tif
retouched by film and media (jnc) 12_7_10fig. 43 - Claude Monet (1840-1926), Régate à Saint-Adresse 1867 óleo s / tela 75,2 x 101,6 cm. The Metropolitan Museum of Art.

Em 1900 a vela participa nos Jogos Olímpicos de Paris e torna-se desporto olímpico em 1920 de Antuérpia e de 1936 em Berlim.

Com o desenvolvimento da fotografia torna-se praticamente desnecessária a pintura e mesmo o desenho para ilustrar as regatas dos Jogos Olímpicos.

vp36fig. 44 - Fotografia de uma das regatas em Meulan, nos Jogos Olímpicos de 1900.

Mas as regatas e os barcos à vela serão tema para a pintura moderna.

fig. 45 - Stanley Cursiter (1887–1976) The Regatta 1913. Óleo s/tela 50,4 x 60,8 cm. National Galleries of Scotland.

E nos 20 dois pintores da Bauhaus são atraídos pelo tema dos barcos à vela e das regatas.

vp39fig. 46 - Paul Klee (1879-1940) Little Regatta, 1922, aguarela s/papel 5 3/4 x 9 in.The Phillips Collection Washington.

vp38fig. 47 - Lyonel Charles Feininger (1871-1956) Bateaux à voile, 1929, óleo s/tela 43 x 72 cm. The Institute of Art, Detroit.

E ainda uma pintura mais recente.

vp37fig. 48 - Luc Gendron (1945) Régates à Saint-Tropez, óleo s/tela 65 x 92 cm.Tournemine Gallery. Gstaad Suisse.

Em Portugal terá sido a fundação da Real Associação Naval de Lisboa, em 1856, a consagrar a vela como modalidade desportiva.

E quando em 1870, a família real se instala em Cascais no período balnear, promove a prática da vela, acompanhada pelo aparecimento de veleiros mais pequenos, mais acessíveis e mais fáceis de manobrar.

vp31fig. 49 - D. Carlos de Bragança (1863 - 1908) Regatta, Depois da largada, Cascais 1885. Desenho Lápis 11,2 x 13,3 cm. Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado. Lisboa.

O permanente fascínio pelos antigos e grandes veleiros

E por isso a apetência pelas imagens dos quase desaparecidos grandes veleiros - As velas todas brandamente inchadas – /Brilho de escamas sobre os grandes mares… [1]

vp41fig. 50 - Justyna Kopani, óleo s/ tela 50 x 45 cm. colecção da autora. http://www.thisiscolossal.com/2015/02/seascapes-justyna-kopania/

Reparemos que, mesmo para os que nunca navegaram, se mantém um incontrolável fascínio pelos veleiros. Basta ver a curiosidade que arrasta multidões quando se realiza um qualquer encontro de navios-escola, ou o sucesso que ainda hoje tem as histórias e os filmes de piratas.


[1] Sophia de Mello Breyner Andresen, Deriva I (1982) in Obra Poética , Assírio & Alvim Porto 2015. (pág. 733).

E termino com Amália:

Nos cais de outrora
Há navios vazios...
E há velas esquecidas
Do alto mar!
São sombrios os rios
Do recordar!

Nos cais de outrora
Há só barcos cansados...

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