Edvard Munch (1863-1944). Melankoli, 1892. Óleo s/tela 64 x 96 cm. National Gallery, Oslo, Noruega.
“Uma dor sem crise, vazia, obscura e
desolada;
Um sofrimento afogado, sonolento,
desapaixonado…”
Samuel
Taylor Coleridge [1]
Sou o incerto, o náufrago, um pária da natureza
Neste mesquinho mundo de conflito
e incerteza
Cumprindo o curvo cajado de cobiça e de vileza
Sou o escondido desterrado
na arte e na beleza
No passado
por quelhos de caos em confusão,
não cuidei das passadas que dei despedaçado.
Cumprindo o curso esquivo do tempo d’ambição
por ásperos
penedos de gélido pavor arrepiado.
Sem tino fiquei cru sem voz no degrau do tempo
tecendo obscuros retalhos d’um salteador incerto
nómada maldito
do jamais chego ao que pretendo.
Mendigo perdido circulando neste apertado recinto
tão gordo e redondo como um ó ou como um zero
mistério a descobrir em tudo o que a frio ainda sinto.
[1] « A grief without a pang, void, dark, and drear, / A stifled, drowsy, unimpassioned grief »
Samuel Taylor Coleridge (1772-1834) Dejection: an ode.de
Sibylline leaves. In The Poetical works of S. T. Coleridge. Vol. I. William
Pickering London 1835 (pág. 236).

Sem comentários:
Enviar um comentário