Vãos e Janelas 1
Robert Delaunay
(1885-1941), Les Fenêtres simultanées sur la ville. 1re partie, 2e motif, 1912. Óleo s/tela 40 x 46 cm. Hamburg Kunsthalle
“tudo assim me é conduzido no
espaço
Por inúmeras interseções de planos
Múltiplos, livres, resvalantes.”
Mário Sá-Carneiro [1]
“O mundo é
grande e cabe
nesta janela
sobre o mar.”
Carlos Drummond de Andrade [2]
São espelho repentino onde nos revemos
onda de ternura que tudo embala no olhar
reflexo fosco eco de onde desaparecemos
vãos por onde reluzindo treme todo o mar
Casa onde o muro musgoso se desprende
deslumbrante janela faz o lugar
acontecer
soltando vazios de luz que
ora surpreende
o claro sentido de todo o
mundo a oferecer
Aberta à brisa para o feliz
profundo respirar
moldura que separa
palpitando a irrealidade
polígono
aberto e desejo de mundo apreciar
Dolorosas
paredes recíprocas e pertinentes
penumbras que desvanecem em intensidade
na tecida incerteza de mundos tão diferentes





