Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux. Marcel Proust - A La Recherche du Temps Perdu















sexta-feira, 29 de abril de 2011

Os Planos para o Porto–dos Almadas aos nossos dias 8 (III parte 4)

Propostas para a terciarização do Centro - O Centro de Negócios



Para o Centro o Plano propõe a renovação e ampliação do centro, servido pelos dois grandes eixos sul-norte e poente nascente. No cruzamento destes dois eixos desenvolver-se-ia o Centro de Negócios. “Nestas condições, é de desejar que se pre­vejam na regulamentação os meios de favo­recer esta expansão do terciário, que apenas pode fazer-se no quadro duma renovação progressiva do centro, englobando todos os elementos de equipamento indispensáveis à actividade terciária contemporânea.” auz63a_thumb2




O Centro no cruzamento dos dois eixos viários principais.




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Plano Auzelle Volume II – folha n.º 2 da Planta Sistemas Viários do Plano Director e do Plano Regulador – Detalhe do eixo sul-norte




A Praça da Trindade



A norte da avenida dos Aliados é projectado o arranjo da praça da Trindade com o “objectivo principal (de) melhorar as condições da circulação automóvel num troço do eixo de comunicações norte-sul que liga a avenida dos Aliados à rua de Camões.”auz322_thumb4




Plano Auzelle Volume II – folha n.º 6 da Planta do Estado Actual da Cidade – Detalhe da zona da Trindade



E “como resultante da mudança dos percursos do trân­sito automóvel, foi eliminado o cruzamento entre o edifício da Câmara Municipal e a igreja da Trindade, sendo o espaço inter­médio transformado em praça pública para peões.”auz69_thumb2




Plano Auzelle Volume III – Valorização das Zonas de Interesse Arquitectónico – Arranjo da Praça da Trindade



E o Plano propõe um edifício para a Pedreira da Trindade, com a “demolição de uma zona anterior­mente ocupada por velhos edifícios de habitação e algumas ilhas , recuperando-se o terreno assim re­sultante em benefício de instala­ções comerciais e administrativas de que o centro da cidade tanto carece.”



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Plano Auzelle Volume III – Valorização das Zonas de Interesse Arquitectónico – Arranjo da Praça da Trindade auz68_thumb2




Plano Auzelle Volume III –Plano Auzelle Volume III – Valorização das Zonas de Interesse Arquitectónico – Arranjo da Praça da Trindade Perspectiva das construções previstas para a nova rua da Trindade



Foram diversos os projectos para a Pedreira da Trindade cuja edificação só se concluiu no início do século XXI. A Câmara encomendou ainda nos anos 60 um projecto ao arquitecto Joaquim Bento Lousan (1932), que não foi realizado. Nos anos 80 é encomendado um novo projecto ao arquitecto Tomás Taveira (1938). Em 1992, o construtor Martinho Tavares, associado a uma empresa francesa, iniciou a construção do centro de negócios da Trindade, segundo um projecto de 1986 que por sua vez, seguia o estudo do arquitecto Bento Lousan. No entanto, a falência da firma gaulesa determinou a paragem dos trabalhos em 1996.Nos anos 90, a Câmara, numa parceria (?) com a firma J. Azevedo inicia a construção do edifício, que é suspenso por falência do construtor. Finalmente em 2004 se procede a uma reformulação do projecto pela arquitecta Rosário Rodrigues e o edifíci0 é finalmente concluído.auz481_thumb2




Cruzamento dos eixos sul-norte e poente-nascente



rua de Camões – rua Gonçalo Cristóvão



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“No seu conjunto, a solução adoptada para o prolongamento da rua de Gonçalo Cristóvão para nascente foi encarada no sentido de se obter um traçado rápido, com supressão de todos os pontos de conflito com as outras vias (secundárias ou prin­cipais) e com as características correspondentes a uma grande via de ligação.”





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Plano Auzelle Volume III – documento 1 Eixo Principal este-oeste




O viaduto de Gonçalo Cristóvão



Uma das poucas realizações, em tempo, do Plano, embora do viaduto apenas se tenha concretizado a 1ª fase. Quando da sua construção o viaduto chegou a cair, sendo depois recuperado.



“Quando estiver realizado o prolongamento da rua de Gonçalo Cris­tóvão até à Estação de Campanhã e quando funcio­nar o eixo norte-sul em ligação com a Via Norte, então o afluxo de veículos neste cruzamento será tal, que será impraticável o seu funcionamento como cruzamento de nível. Por isso se previu neste local a construção dum viaduto central relativamente à rua de Gonçalo Cristóvão (com passagem superior desta artéria), de modo a permitir a circulação con­tínua nos eixos norte-sul e este-oeste, dando possi­bilidade, ao mesmo tempo, de o trânsito — ao nível inferior — mudar de direcção (tomando sempre a via da direita) sem pontos de conflito.”
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Plano Auzelle Volume III –documento 1 Eixo principal este-oeste – estado actual e 1.ª fase do viaduto



A - Estado actual “O cruzamento é de nível. O trânsito faz-se nos 2 sentidos em ambas as ruas e pode tomar todas as direcções. Verifica-se o máximo de pontos de conflito. A rua de Gonçalo Cristóvão já está alargada, em parte.”



B —1.a fase “Execução da l .a fase da passagem superior da faixa central da rua de Gonçalo Cristóvão por intermédio dum viaduto para 2 faixas de trânsito (1 para cada sentido). As duas principais cor­rentes de trânsito cruzam a níveis diferentes. A 1.a fase da construção deste viaduto encon­tra-se em vias de conclusão; apresenta um perfil transversal com a largura de 7 metros e comporta duas faixas de trânsito, uma para cada sentido. A fase final, com uma largura de 14 metros, permite o estabelecimento de quatro faixas de trânsito, duas para cada sentido.”



O projecto para o Cruzamento da rua de Camões com a rua de Gonçalo Cristóvão, apenas realizado parcialmente



“A realização completa da passagem superior, do alarga­mento da rua de Gonçalo Cristóvão e do prolongamento da rua de Fonseca Cardoso (para o sentido ascendente do trânsito vindo da rua de Camões) permitira a circulação contínua nos eixos norte-sul e este-oeste e a mudança de direcção para a direita, ao nível inferior. O viaduto comporta 4 faixas de trân­sito, 2 para cada sentido. O cru­zamento funciona sem qualquer ponto de conflito.”auz484_thumb2



Plano Auzelle Volume III –documento 1 Eixo principal este-oeste – 1a Cruzamento da rua Camões com a rua Gonçalo Cristóvão.
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O viaduto na actualidade



A zona Gonçalo Cristóvão /Sá da Bandeira



Para esta zona o Plano previa o desenvolvimento do Centro, com a construção de equipamentos, edifícios de serviços e comércio.



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O Silo Auto




Para o desenvolvimento e terciarização do centro “deve principalmente, sob o ponto de vista da circulação, libertar-se os arruamentos do esta­cionamento, criando vastos parques de vários pisos, que assegurem a conversão fácil do automobilista em peão. Deve ainda favore­cer-se o desenvolvimento dos transportes colectivos, susceptíveis de irrigar o coração vital da cidade.”

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Plano Auzelle Volume I – documento 9.1.1.6 – Parques de Estacionamento propostos



Dos parques de estacionamento previstos apenas se realizou o de Sá da Bandeira (Silo Auto) e cerca de quarenta anos depois, de uma forma diferente o da Cordoaria e da praça do Infante D. Henrique. O Silo Auto, é um projecto dos arquitectos Alberto José Pessoa (1919-1985), e João Abel Bessa, construído em 1964, junto à capela setecentista da Boa Hora de Fradelos.auz20a_thumb2



Na ideia inicial do Plano Director seria um edifício “semi enterrado e adossado em parte às rochas existentes, e teria uma forma oval para melhor se integrar no jardim público ocupando todo o quarteirão. O terraço teria um restaurante e um ringue de hoquei.” (in Urbanisme)
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Também a iniciativa privada constrói, segundo um projecto do arquitecto Manuel Marques de Aguiar (1927- ), o edifício no lado norte da rua Gonçalo Cristóvão. O edifício estende-se ao longo da rua , com um programa misto, de comércio em rés do chão protegido por uma arcada, e 6 pisos de escritórios, onde se eleva uma torre de 16 pisos construída num momento em que a tipologia de torre começa a ser utilizada na cidade do Porto.



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No âmbito desta terciarização da rua de Gonçalo Cristóvão o arquitecto Márcio de Freitas (1926-?) projecta em 1968 o novo edifício sede do Jornal de Notícias, também um edifício torre, e também na zona do "centro" definido pelo Plano de Auzelle, edifício com uma linguagem algo saturada de ornamentações, e desenquadrada do contexto envolvente. auz259_thumb2



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O atelier de José Carlos Loureiro, projecta em 1965, o edifício do hotel D. Henrique, na continuidade do "centro de negócios" do Plano Auzelle, um edifício misto, em que sobre uma "base" de comércio e escritórios, se ergue uma torre correspondente a um hotel, com um tratamento escultórico que não impede as dificuldades da sua implantação e das sua presença no contexto e perfil da cidade.



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A rua Sá da Bandeira



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Plano Auzelle Volume II- folha 6 da Planta do Estado Actual da Cidade – detalhe da zona de Sá da Bandeira



A rua de Sá da Bandeira é prolongada nos anos 50 desde Fernandes Tomás até à rua Gonçalo Cristóvão, edificando-se no lado poente dois quarteirões, que provocarão a abertura da rua do Bolhão.



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Abertura da rua de Sá da Bandeira foto Alvão



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A rua de Sá da Bandeira na planta de 1948 e na Planta actual



O quarteirão a sul é totalmente ocupado pelo Palácio do Comércio, um edifício projectado pelo arquitecto David Moreira da Silva (1909-2002), de programa misto – habitação, comércio e escritórios – com um pátio central para estacionamento automóvel, ideia desenvolvida por Antão Almeida Garrett no sentido de retirar o estacionamento das ruas para o interior dos quarteirõeauz502_thumb2



O quarteirão norte é ocupado por um edifício dos anos 40 projectado pelo arquitecto ArthurAlmeida Júnior



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e pelo edifício DKW (da marca de automóveis alemães que aí tinha os seus escritórios), projectado por Arménio Losa e Cassiano Barbosa em 1946 e concluído em 1951.



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No lado nascente a Câmara organiza em 1955 um concurso público para o remate da rua de Sá da Bandeira, ganho pelos arquitectos Agostinho Ricca (1915-2010) e Benjamim do Carmo, numa solução que compreende um edifício ao longo da rua e que remata o quarteirão existente, um edifício-ponte sobre a rua de Sá da Bandeira, e um pequeno jardim no lado poente.auz506_thumb2auz60_thumb5auz15_thumb2



No centro do jardim é colocada uma escultura em bronze “Maturidade” de João Charters d’ Almeida (1935).



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(CONTINUA)

Os Planos para o Porto–dos Almadas aos nossos dias 8 (III parte 3)

A vida cultural



Também a vida cultural da cidade se concentra na Baixa. O Plano ignorando o papel decisivo dos cafés, destaca, para além da Universidade, “os clubes, as sociedades de concertos e os institutos estrangeiros de cultura e difusão.”



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Plano Auzelle Documento 8.1.1.1 – Edifícios e locais de reunião Casas de espectáculos, museus , bibliotecas, clubes e associações culturais, sociedades de concertos e orfeões



Referindo-se aos Clubes considera que os seus “ fre­quentadores (…) correspondem a uma certa classe da Sociedade, que perma­nece assim um pouco fechada”, terá em mente os clubes sociais como o Clube Inglês desde 1923 instalado na casa do século XVIII nas Virtudes e que precisamente em 1962 se muda para o edifício do Campo Alegre, projectado pelo arquitecto João Mello Breyner Andresen (1920 – 1967) e o Clube Portuense fundado em 1857 e instalado na rua Cândido dos Reis. De resto refere-se aos “clubes e associações culturais mais impor­tantes da Cidade” como tendo “as mais variadas actividades” que “vão desde as conferências e palestras sobre os mais diversos assuntos de natureza artística, cien­tífica ou social, até à realização de colóquios literá­rios, representações teatrais, exibições de cinema, visitas de estudo, festas, reuniões, etc.” e onde se destacam a Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, o Ateneu Comercial do Porto e o Clube Fenianos Portuenses.



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Com uma actividade específica (e com uma actividade política contra o regime) o Círculo de Cultura Teatral (Teatro Experimental do Porto) e o Clube Português de Cinematografia (Cine-Clube), de que falaremos mais adiante.



A Música



O Plano referindo “as sociedades de concertos” (Orphéon Portuense (Sociedade de concertos) Círculo de Cultura Musical (delegação), Associação da Orquestra Sinfónica do Con­servatório de Música do Porto que dispõe duma Orquestra Sinfónica própria, Juventude Musical Portuguesa (delegação), Pró Arte, Orfeão do Porto, Orfeão da Foz do Douro, e Orfeão Universitário) destaca, muito justamente, a qualidade e o dinamismo da actividade musical, já que “se trata de manifestações das mais impor­tantes da vida intelectual do Porto” que “desde longa data (…) tem estado a par dos grandes centros artísticos internacionais no que se refere à categoria dos executantes que tem tido opor­tunidade de apreciar.”



Assisti, quando jovem, a muitos desses concertos, que apesar de um número relativamente reduzido de frequentadores, a qualidade e exigência desse público, tornavam o Porto uma cidade por onde passavam “todos os mais prestigiosos represen­tantes do mundo musical”, as maiores celebridades musicais (…) não só no que se refere às orquestras mais famosas, como aos mais categorizados solistas de todo o mundo, entre eles por exemplo o pianista Wilhelm Kempff (1895 – 1991) o violinista David Oistrakh (1908 -1974), (sobre quem José Gomes Ferreira escreveu em Poeta Militante: Não, não deixes secar/este fio de água de violino/que nas manhãs de ouro/completa as nossas sombras com flores -/ enquanto os pássaros de sementes nos olhos/procuram na espiral dos voos/outro cárcere de recomeço.) e o violoncelista Mstislav Leopoldovitch Rostropovich (1927- 2007). Todos sabiam ser exigida uma “quali­dade dos concertos executados…de primeira ordem”, e quando assim não fosse arriscavam uma, embora educada, pateada.



Ainda nestes anos persistia a memória da grande violoncelista portuense Guilhermina Suggia (1885-1950) perpetuada no prémio com o seu nome “para o melhor aluno de violoncelo do Conservatório de Música do Porto”, e que foi atribuído em 1953 a Maria José Ribas Gonçalves de Azevedo, a Maria da Conceição Ferreira de Macedo em 1955 e em 1963 a Isabel Delerue. ( cf. http://suggia.weblog.com.pt/)



De referir a Orquestra Sinfónica do Conservatório de Música do Porto, dirigida entre 1953 e 1956 pelo grande maestro italiano Ino Savini (1904-1995), realizando mais de 200 concertos do reportório clássico e incluindo várias estreias mundiais. A partir de 1956 Ino Savini, continuou ocasionalmente a dirigir a Orquestra do Porto.



(Nota - alguns destes concertos estão no You Tube: Paul Dukas (1865-1935) L'apprenti sorcier (1897) Orchestra Sinfonica di Porto Cond:INO SAVINI Live Porto (Portugal) 24.3.1954; Ino Savini: "L'Ultima Cena" - Poema Sinfonico Orquestra Sinfonica do Porto. Gravação ao vivo 14 de Junho de 1954; Ino Savini: "Dolorosas" - Suite Sinfonica 1.Rassegnazione, Orquestra Sinfonica do Porto. Live Recording 9 March 1960.)



O Plano lamenta que apesar da qualidade haja “uma difusão res­trita e uma ausência de educação musical dum público mais vasto” destacando contudo o papel da “Fundação Calouste Gulbenkian” que tem “organizado concertos públicos que provoca­ram considerável interesse” e “realizado nesta cidade Festivais de Música de grande categoria artística.” (Em 1961 realiza-se no Coliseu do Porto o V Festival Gulbenkian de Música)



Também no bailado , para além da escola do Parnaso, exibem-se no Porto as grandes companhias como o Ballet do Marquês de Cuevas (1961), e o London’s Festival Ballet (1962).



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Por tudo isso o Plano considera que “atendendo à importância das manifestações musicais que normalmente aqui se realizam e sendo de admitir o seu desejável incremento como notável factor de educação, com grande influência na ele­vação do nível cultural da população(…)faz-se sentir a necessidade duma Sala de Concertos na cidade, pois os concertos realizam-se nos Teatros e Cinemas (no Rivoli e no Coliseu), alguns com más condições acústicas” e “salienta a lamentável ausência duma sala de concertos, especialmente concebida para esta função.”



Esta só será concretizada 40 anos depois, a polémica Casa da Música, segundo um projecto de Rem Koolhaas (1944) de 2001 e inaugurada em 2005.



Um outro aspecto em que no século XIX, o Porto tinha fortes tradições, o teatro lírico, a cidade do Porto, que em épocas remotas usufruiu de temporadas regulares com excelentes compa­nhias, vê-se hoje na situação de ausência com­pleta de tais espectáculos musicais. o Plano lamenta que “no que respeita ao teatro lírico, a carência é total. Não existe teatro próprio, nem com­panhia, nem espectáculos.” Carência essa que se pode estender a uma sala onde os bailados possam efectuar os seus espectáculos. Não sendo talvez possível resolver a actual situação sem a atribuição de subsídios oficiais (que são concedidos ao Teatro Nacional de S. Carlos, de Lisboa) parece de toda a justiça tornar extensiva a esta cidade a concessão dessa regalia.



O Cinema



As casas de espectáculos existentes na Cidade e que “ tem actualmente uma utilização quase exclusiva como cinema”. Na época existiam na cidade 16 salas de cinema, das quais 10 se localizavam na área central.



















































































































































































































































































































































































Designação





Classificação





Utilização





Lotação





1 Palácio dos Desportos





l.a classe





Desportos, Circo, Variedades, Exposições





9840





2 Coliseu





Estreias





Cinema, Teatro, Circo, Concertos





2 906





3 Rivoli





»





Cinema, Teatro, Concertos





1818





4 S. João





»





Cinema, Teatro, Concertos





1 008





5 Trindade





2.a classe »





Cinema, Concertos





1191





6 Batalha





»





Cinema





1066





7 Vale Formoso





»





Cinema, Teatro





1 021





8 Sá da Bandeira





»





Cinema, Teatro





974





9 Águia d'Ouro





3.a classe »





Cinema





869





10 Nun'Álvares





»









855





1 1 Olímpia





»









677





12 Odéon





»









891





í 3 Júlio Dinis





»









752





14 Central





»









715





15 Carlos Alberto





Reprises









988





16 Asilo do Terço





Esplanada









800





17 Foz





4,a classe Reprises









383









O Clube Português de Cinematografia, Cine Clube do Porto





Sobre o cinema de salientar o papel desempenhado pelo Clube Português de Cinematografia fundado em 1945 por Hipólito Duarte (1927-2002), e que em 1948 acrescentou ao nome de CPC o de Cine-Clube do Porto. Nos anos 50 e 60 é Henrique Alves Costa (1910 - 1988), o principal animador do Cine Clube, então instalado no edifício Capitólio, responsável pela divulgação dos filmes, que por razões políticas eram censurados pelo regime, ou que as distribuidoras não consideravam rentáveis em termos comerciais.





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Edifício Capitólio do arquitecto Carlos Neves, onde se situava o Cine Clube do Porto





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Desenho de Júlio Pomar para a exibição de “Saltimbancos” 1952 e Anúncio no Diário de Lisboa, 25-1-1952.





(“Saltimbancos” de 1952 é um filme de Manuel Guimarães (1915-1975) numa adaptação do romance "O Circo" de Leão Penedo (1916-1976) escritor que irá assinar nos anos 60 o argumento de “D. Roberto” de Ernesto de Sousa, numa tentativa de produzir em Portugal um cinema neo-realista. Foi premiado pelo SNI pela Melhor Fotografia, da autoria de Salazar Dinis.)





As sessões do cine clube realizam-se aos domingos de manhã, no Cinema Batalha, a que a direcção do cinema, o doutor Luís Neves Real, acrescenta as “matinés clássicas” ao sábado à tarde.





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O Cinema Batalha, de 1946/47, projecto do arquitecto Artur Andrade (1913-2005) para a Empresa Pascaud-Neves (Edmond Pascaud e António Neves)





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O Cinema Batalha inaugurado em 1947 e sucedendo ao antigo Salão High-Life evidencia a influência dos projectos de cinemas das décadas de 30/40, com o recurso à "streamline" ou "linha aerodinâmica", muito divulgada então, nos Estados Unidos. auz471_thumb2





As paredes onduladas, com amplos envidraçados e independentes da estrutura, resolvendo com coerência o edifício em gaveto, são sublinhadas pela consola que cria um percurso acompanhando todo o exterior do edifício, que reforçado pelo tratamento dado à iluminação artificial, aponta a inclusão na sua concepção da sua presença e leitura nocturna. “A fim de se manter a grandeza e importância do volume correspondente aos foyers, que se procurava obter pela sua projecção sobre a via publica.” (Artur Andrade1945)auz398_thumb1





Sendo o primeiro dos edifícios modernos construído no pós guerra, por um arquitecto da ODAM, conotado com a oposição comunista ao regime, tornou-se um símbolo dessa mesma oposição, levando a que ironicamente,se dissesse que as letras “CB”, nas suas entradas, correspondessem a Centro Bolchevique e não a Cinema Batalha.





Reforçando a conotação política do edifício a utilização de elementos plásticos - o fresco de Júlio Pomar (1926) e o baixo-relevo de Américo Braga (1909-1991) e trabalhos de Augusto Gomes, António Sampaio e Arlindo Gonçalves - quer como elementos componentes do próprio projecto, quer como forma de o conotar politicamente e de concretizar ideologicamente o projecto com um sinal contrário aos edifícios oficiais.





O fresco de Júlio Pomar, representando o S. João no Porto, na escada de acesso ao balcão, foi mandado cobrir pela polícia política.





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Perspectiva do foyer tendo ao fundo o painel de Júlio Pomar. Ante projecto





O baixo-relevo exterior de Américo Braga foi alterado por imposição da mesma polícia, tendo sido retirados a foice e o martelo das personagens, camponesa e operário, nele representadas.





( Nota - Américo Soares Braga antes de partir para o Brasil em 1953 realizou ainda o baixo-relevo na fachada da Livraria Tavares Martins em 1946 (projecto de Viana de Lima); o baixo-relevo na fachada da Fábrica da Companhia Portuguesa das Sedas Artificiais 1948 (projecto de Arménio Losa e Cassiano Barbosa) e os Painéis para o Mercado Municipal de Matosinhos, 1952 (projecto da ARS).





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As figuras na parte inferior do relevo, são uma alusão ao trabalho: uma camponesa, simbolizando o trabalho rural, segurando num braço um molho de trigo e na outra uma foice; um operário, simbolizando o trabalho industrial, carregando no ombro esquerdo uma pesada corrente de ferro e na mão direita segurando um martelo; e, uma figura sentada com um livro, simbolizando o trabalho intelectual.





Por cima destas três figuras duas mães, uma segurando uma criança nos braços símbolo da esperança nas futuras gerações.





Encima o relevo uma figura de Apolo, junto a dois cavalos, tendo a seus pés as três Artes, sobre um fundo com elementos clássicos. Por todo o relevo algumas estrelas numa alusão ao Cinema.





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O Teatro





O Plano refere que “as casas de espectáculos da Cidade tem actualmente uma utilização quase exclusiva como cinema”, lamentando a “falta de Companhias permanentes de Teatro (que) faz com que as épocas teatrais sejam muito curtas, irregulares, e quase só com espectáculos de revista.”





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Cartaz 33 x 25 cm da comédia "Os Direitos da Mulher" - Vasco Morgado/Teatro Rivoli 1962 - Museu Nacional do Teatro





E aponta o TEP, então dirigido por António Pedro, auz478_thumb2





António Pedro - Pequeno Tratado de Encenação, ed. Confluência, Porto, 1962.





como a “única Companhia que actua com uma certa regularidade e apresenta espectáculos de bom nível artístico é a do Teatro Experimental (Círculo de Cultura Teatral). Os espectáculos realizam se no seu Teatro de Bolso que dispõe apenas de uma lota­ção de 141 lugares”. (sobre o TEP ver neste blogue o Porto onde nasci e cresci)auz241_thumb2





O Teatro de Bolso do TEP – Círculo de Cultura Teatral





Referindo que a lotação das 16 salas de espectáculos existentes na cidade é de 16 914 lugares, o Plano refere o Pavilhão de Desportos do Palá­cio de Cristal, que acrescentaria 26 754 lugares.





E o Plano ignorando por certo as suas péssimas condições acústicas ainda coloca a hipótese de “organizar espectáculos com grandes conjuntos corais, sinfónicos, ou de bandas, fomentando junto do povo o gosto pela música” em “recintos cobertos com grande lotação (o maior dos quais no Palácio de Cristal)”.





O Pavilhão dos Desportos do Palácio de Cristal





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Plano Auzelle fig. 14 – Pavilhão dos Desportos construído em 1954 nos jardins do Palácio de Cristal





O Pavilhão dos Desportos (Rosa Mota) 1951/55 projecto do arquitecto José Carlos Loureiro e do engenheiro António Soares foi construído para acolher a realização do Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins em 1952.





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Programa Oficial do XVIII - Campeonato da Europa. VIII - Campeonato do Mundo - Palácio dos Desportos, Porto, Belarte. 1952auz479_thumb2





O edifício concluído em 1955, tem uma arquitectura que procura explorar os valores estéticos do betão armado, na valorização plástica da estrutura e das suas linhas de tensão construtiva e na valorização das capacidades técnicas da criação de grandes vãos, donde resulta a importância essencial da cobertura nestas realizações.auz530_thumb2





Foto Alvão





O Pavilhão dos Desportos em 1952, ainda sem a cobertura quando se disputou o VIII Campeonato mundial. Esta fotografia apresenta ainda outras detalhes interessantes.





1 Ainda não foi demolida a fachada do “saudoso” Palácio de Cristal.auz530a_thumb3





2 É visível a relação visual do jardim da Cordoaria com o rio Douro, depois interrompida com a construção do Palácio da Justiça.auz530b_thumb2





3 A actividade junto do edifício da Alfândega com as barcaças no Douro e o caminho de ferro de ligação à estação de Campanhã.auz530c_thumb3





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O Pavilhão dos Desportos nos finais dos anos 50.auz494_thumb2





Gorada (felizmente!) a ideia de uma Feira Internacional no Parque da Cidade proposta pelo Plano, as Feiras Internacionais promovidas pela Associação Empresarial, irão realizar-se no Pavilhão dos Desportos entre 1968 e 1986.





A Feira Popular





No recinto do Palácio de Cristal realizava-se todos os anos a Feira Popular “que Deus con­serve por muitos anos e bons, para nosso gozo e con­forto espiritual.” auz487_thumb2





O Pavilhão da firma Agostinho Ricon Peres na Feira Popular





A Feira Popular era um verdadeiro acontecimento então com grande sucesso na cidade “todo o Porto, que se pela por estas pândegas inofensivas, marcou encontro ao ar livre”, quer pela qualidade dos seus divertimentos, como o “ grito musical das rodas de cavalinhos: podemos ser crian­ças outra vez, transportados nos ventos da Aventura ao galope sereno dos corcéis de brinquedo”, quer pela qualidade dos seus restaurantes e esplanadas, onde o “ar estua cheiros densos a petisqueiras saborosas” e se “escorripichava” “um copito (…) com seu acom­panhamento de bela sardinha assada”.





E os portuenses iam “de pavilhão em pavilhão, com vagares de primeira visita”, pavilhões esses muitos deles desenhados por conhecidos arquitectos do Porto,





Num pavilhão a “menina dos chocolates, por detrás do balcão”, convidava a fazer um “furo de sorte” para ver que prémio saía, mais adiante comprava-se “a neve de açúcar, que se desfaz na boca”, e exibia-se nas barracas de tiro “as veleidades de boa pontaria, crescendo em importância a cada tiro certeiro”.





(Em itálico excertos de “abriu a feira popular” de Daniel Filipe in Discurso sobre a Cidade.)





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Anúncio dos chocolates Regina 1962, com a “máquina dos furos”





Os Institutos estrangeiros de cultura





O Plano refere ainda os “institutos estrangeiros instalados na cidade (que) são, em primeiro lugar, escolas de lín­guas estrangeiras, tendo como complemento uma vasta informação sobre tudo o que pode tornar mais conhecida a cultura dos diversos países.” As suas actividades “vão desde as conferências e palestras sobre os mais diversos assuntos de natureza artística, cien­tífica ou social, até à realização de colóquios literá­rios, representações teatrais, exibições de cinema, visitas de estudo, festas, reuniões, etc.” e “deve referir-se ainda o intercâmbio com vários países estrangeiros através dos seus Institutos, e as facilidades proporcionadas para a aprendizagem das línguas respectivas a numerosos estudantes.”





Destes institutos que alguns “dispõem de excelentes bibliotecas” destacam-se o Instituto de Cultura Alemã, e o Instituto de Cultura Italiana, mas sobretudo, no rescaldo da guerra os mais influentes Instituto Britânico e o Instituto Francês (fechou em 2004).





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O edifício "DKW” na rua de Sá da Bandeira, projectado por Arménio Losa e Cassiano Barbosa em 1946 e inaugurado em 1951 e onde se encontrava instalado o Institut Français do Porto.





Turismo e Hotéisauz254_thumb2









“Os gráficos do documento 7.2.1.1 acusam, nos últimos dez anos, um aumento do número de turistas. Naquele que nos indica a ocupa­ção dos hotéis e pensões da cidade o máximo aparece no ano de 1957 e, se se atentar no gráfico que especifica a nacionalidade dos turistas, verifica-se que este aumento é incon­testavelmente devido à importância dos turis­tas franceses nesse mesmo período. (…) Deveria poder distinguir-se os turis­tas que vêm em carros particulares ou em autocarros dos que vêm de barco ou avião. (…) para os automobi­listas, a proporção dos que visitam a Penín­sula Ibérica e terminam a sua estadia em Portugal na região de Coimbra, donde seguem directamente para a fronteira, é niti­damente superior. Daqui resulta o isolamento relativo do norte de Portugal em relação aos grandes itinerários rápidos.





Estas condições, «a priori» desfavoráveis, devem incitar a um esforço muito particular para a valorização do capital turístico de todo o norte do País e à promoção do Porto a seu centro principal.”auz255_thumb3auz256_thumb2









A quase totalidade dos estabelecimentos hoteleiros situa-se na Baixa, existindo apenas um núcleo junto da Estação de Campanhã e quatro unidades na Foz. Da categoria luxo apenas o Hotel Infante Sagres.auz266_thumb2





foto Alvão - A praça Filipa de Lencastre e o Hotel Infante Sagres (projecto do arq. Rogério de Azevedo) Foto Alvão - Arquivo do Centro Português de Fotografia/ Ministério da Cultura





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E de 1ª categoria, na Batalha o Grande Hotel da Batalha e o Grande Hotel do Império, o Hotel Peninsular na rua de Sá da Bandeira e o Grande Hotel do Porto na rua de Santa Catarina.





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A praça da Batalha com o Grande Hotel do Império e ao fundo o Grande Hotel da Batalha, num postal dos anos 50.





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O Grande Hotel do Porto nos anos 40 e na actualidade





Os mais conhecidos e prestigiados restaurantes do Porto são o Escondidinho na rua Passos Manuel e o restaurante Comercial na praça do Infante.auz436_thumb2auz600_thumb2





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