Geometria
Álvaro Siza, esquisso para Bonjour Tristesse (Wohnhaus
Schlesisches Tor)1984 Berlim. ArchDaily
“Há geometria no poisar do pé.”
Álvaro Siza [1]
“He
soñado la geometría.
He soñado el punto, la
línea, el plano y el volumen.”
Jorge
Luis Borges [2]
“A arquitetura é julgada pelos olhos que veem,
pela cabeça que gira, pelas
pernas quando se anda.
A arquitetura não é um fenômeno sincrónico,
mas sucessivo, feito de espetáculos
que se somam e se sucedem no tempo e no
espaço.”
Le Corbusier [3]
“A história da dança não é, não pode ser,
o Percurso dos Movimentos traçado no chão.
É, tem de ser, o Percurso dos
Movimentos traçados no ar.”
Gonçalo
M. Tavares[4]
“Que
partamos do espaço, da sua lei,
do seu segredo, deixando-nos enfeitiçar por
ele.
Com isto, novamente, está dito muito e não é
dito nada, até o
momento em que estes conceitos sejam sentidos e
preenchidos.
Que nós partamos da situação do corpo, do ser,
do estar em pé, do
caminhar e somente no fim do saltar e do
dançar.
Por
que o dar um passo representa um importante acontecimento e
nada
menos do que isto, levantar uma mão, mexer um dedo.
Que
nós tenhamos tanto respeito quanto consideração diante de cada
acção
do corpo humano, uma vez que no palco se manifesta este
mundo
especial da vida, do aparecer, esta segunda realidade, na qual
tudo
está circulando pelo brilho do mágico.
Oskar Schlemmer [5]
Parte da dança é o corpo
estar de pé
e caminhar e saltar também
é dançar
dançando se desenha o ritmo
da vida
ágil compasso traçando
formas no ar
Cada passo é decisivo
acontecimento
é geometria como extensão do espaço
moléculas cheias de força e movimento
naquela ordenada figura de um abraço
[1] Álvaro Siza, Há geometria no poisar do pé. 4 de Maio de 2016 in Textos 02 (pág.151). “Assim acontece com a Arquitectura, com o fluir das formas e dos espaços – do geral ao detalhe ou o contrário, em alternância. / Assim acontece na sucessão de gestos de um bailarino. / Há geometria no poisar do pé./ Porto, 4 de Maio de 2015.”
[2] Jorge Luis Borges, Descartes in Selected Poems,
Edited by Alexander Coleman Penguin Books 1999, (pág. 422).
[3] Le
Corbusier. “l’architecture est
jugée par les yeux qui voient, par la tête qui tourne, par les jambes qui
marchent. L’architecture n’est pas un phénomène synchronique, mais successif,
fait de spectacles s’ajoutant les uns aux autres et se suivant dans le temps et
l’espace.” Le
Modulor [1950], Éditions Denoël Gonthier, Paris 1977. (pág.75).
[4] Gonçalo M. Tavares in o Livro da Dança
Assírio & Alvim.
[5] Oskar Schlemmer, Diário, 1929.

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