Apressado poema no início do Outono
“Outono
Enche com a tua presença êste
ar lavado,
Ar de outono que tem
Como um encanto vago de
saüdade ...
Armando Côrtes-Rodrigues [1]
“A sombra casa os sons numa grave harmonia
E tamanha esperança e uma tão grande paz
Avultam do clarão que cinge a serrania,
Como se houvesse aurora e o mar cantando atrás.”
Manuel
Bandeira [2]
Gaetano
Ligrani (Gali) (n.1945), Outono
em casa, 2020.
Acrilico s/tela 63 x 83
cm, Col. do autor
Poema da terra em frutos sumarentos
um
canto luminoso da palavra melodia
poeiras amarelas perdidas no dourado
quando pelo Outono se refaz a poesia
Enternecido
entre árvores mar poentes
endiabrado
Baco misturou no seu lagar
para
que sejamos todos mais contentes
quatro
doses de fogo e água e terra e ar
Esse
mosto fermento rubro nos lagares
labores
de outono encanto de vindimas
resume
o que aí vivi com meus vagares
Escondida
sombra de todo o abandono
assim
adormeço neste dia sem ter sono
sopro
cansado e sono suave no outono

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