segunda-feira, 27 de julho de 2026

Poema do Arquitecto 14

 

perseguindo a beleza da forma justa


Júlio Resende O Oleiro 1954. Óleo s/tela 65 x 81 cm. Centro de Arte Moderna Gulbenkian.

 

 

“Ma la natura la da sempre scema

Similemente operando a l’artista

Ch’a l'habito dell'arte, ha man che trema.” Dante [1]

 

 « …Comme un sculpteur on doit maintenir l’'argile humide… » Álvaro Siza [2]


 

 

como o oleiro que corrigindo e purificando

no torno o barro vai tacteando modelando

perseguindo a pura beleza da forma justa

no gesto húmido mansamente acariciando

 

projecto é vontade de saber unir e separar

nas escondidas exigências que a obra tece

seja clarear e escurecer descobrir e ocultar

o que perdura esmorece morre rejuvenesce  

 

persistente rigorosa artesanal meditação

nas formas procuradas sempre desejadas

obsessivo obstinado rigor e busca paciente 

ofício de exigência de formas projectadas

 

 

 

 

 



[1] Dante Alighieri, Divina Comédia.Tradução de Vasco Graça Moura. Quetzal Editores, Lisboa 2011. (Paraíso Canto XIII v.75-78). (pág.707 e 708).

“Mas a natura em míngua sempre a estrema,

E faz em semelhança com o artista

Que tenha hábito de arte e mão que trema.”

[2] Álvaro Siza, Architecture d’Aujourd’hui nº 211 out.80. 

“Como um escultor deve manter-se o barro húmido.”

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