domingo, 14 de janeiro de 2024

Poemas recuperados 2






António Cruz (1907-2007). Paisagem.Aguarela 1945. Cat. da Exposição 2007-2008 Museu Nacional Soares dos Reis. Ed. Coop. Árvore CRL.


ventos livres passando devagar


Ouço um silêncio como um hino sem um canto

há uma ténue dor que adivinho e que não sinto

já tempo foi que pelas faces me corria o pranto

o dolente desencanto recantos do meu labirinto


Havia então esse olhar que de puro e excelente

quase entrevia a rápida mudança de momentos

a pureza inatingível das imagens que na mente

são como as verdades só duram curtos tempos


O furor febril de tantos espinhosos desenganos

que dão sombras indecisas vagas e dormentes

das ilusões criadas que acabamos por lamentar


Só o que nos faz ser então demasiado humanos

é um fresco incontinente frio que vem do oriente

soprando esses ventos livres passando devagar.

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