quinta-feira, 23 de abril de 2026

Poema do Arquitecto 5



Figura 5 - Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992), Casas 1957. Guache e têmpera sobre papel 35 × 64 cm. MNAC.

Olhar e ver

“Em tudo quanto olhei, fiquei em parte.

Com tudo quanto vi, se passa, passo,

Nem distingue a memória


Do que vi do que fui.”

Fernando Pessoa, [1] 

“A chave é / Olhar / Observar / Ver /

Imaginar / Inventar / Criar…” 

Le Corbusier [2]

“É sempre necessário dizer o que vemos,

mas o que é mais difícil, é ver o que vemos.”

Le Corbusier [3]

“Aprender a ver, não só olhar, mas a ver

em profundidade, em detalhe, em globalidade”

Álvaro Siza [4] 

“certos lugares, querem dizer-nos algo,

ou disseram algo que não devíamos perder,

ou estão para dizer algo; esta iminência

de uma revelação que não se produz,

é talvez o facto estético.”

Jorge Luis Borges [5]

 

Para o contexto sentires, caminha devagar

acresce ao teu olhar o do filósofo do poeta

constrói a serena e clara visão desse lugar

criando da intervenção uma visão completa.

Mas nunca basta olhar é preciso saber ver

ver com o prazer e emoção e sem cansaço

apreender quais os sinais que irás escolher

para criar uma primeira forma nesse espaço.

 



[1] Fernando Pessoa (-1935), Odes de Ricardo Reis, poema de 7 de Junho de1928 in Obra Poética, Companhia Aguilar Editôra, Rio de Janeiro 1965. (pág.282).

[2] Le Corbusier. Carnet de notes, 15 août 1963. Carnet T70, n. º1038, Cap Martin 1963. Edition Herscher, Dessain et Toira, Paris 1982. E em Casabella. rivista internazionale di architettura, n.º 531- 532, gennaio febbraio. 1987.

“La clef, c’est: regarder…/ Regarder / Observer / Voir / Imaginer / Inventer / Criér…”

[3] Le Corbusier, Jean Petit, Le livre de Ronchamp, Les Cahiers Forces Vives, Editec 1961. (pág. 2). “il faut toujours dire ce que l’on voit, surtout il faut toujours, ce qui est plus difficile, voir ce que l’on voit.”

[4] Álvaro Siza, Aprender a ver. Entrevista de Bernardo Pinto de Almeida in UP Alumni n.º 9 Outubro de 2003. (pág. 29-30).

[5] Jorge Luís Borges (1899-1986), La Muralla y los Libros (Buenos Aires 1950) de Otras Inquisiciones (1952) in Obras Completas 1923-1972. Emecé S.A. Editores Buenos Aires 1994. (pág. 635). “ciertos lugares, quieren decirnos algo, o algo dijeron que no hubiéramos debido perder, o están por decir algo; esta inminencia de una revelación, que no se produce, es, quizá, el hecho estético.”

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