Poema do Arquitecto
Figura 1 – Mario Sironi
(1885-1961) l’Architettura 1933. Óleo
sobre lienzo. 350 x 350 cm.Ministero delle Poste e
Telecomunicazioni. Roma.
Introdução ao poema do arquitecto
“A criação arquitectónica nasce de uma emoção, a emoção provocada por um momento e um lugar. O projecto e a construção exigem dos autores que se libertem dessa emoção, num progressivo distanciamento – transmitindo-a inteira e oculta. A partir daí, a emoção pertence ao(s) outro(s).” Álvaro Siza [1]
A
arte do projecto, a poética. o trabalho, os
métodos de projectar de um arquitecto, a concepção de um espaço arquitectónico e a sua apropriação, espaço corporalmente
vivido, experimentado e sentido, não tem fases nem tempos definidos. “Não há um primeiro tempo que seria o dos esboços. Ao mesmo tempo que
faço esquissos também trabalho no estirador…” [2]
Se a apropriação do espaço
é “o primeiro gesto dos vivos, homens e
animais, plantas e nuvens, manifestação fundamental de equilíbrio e duração. A
primeira prova da existência é ocupar o espaço” [3], o arquitecto deverá executar simultaneamente uma série
de operações que conduzem ao êxito do projecto.
Ou
seja, a projectação não é uma actividade
de fora para dentro do processo nem
apenas do seu interior para o exterior, mas um fazer-se que acontece
no próprio processo.
E como considerava Le
Corbusier, só “quando uma obra está na
sua intensidade máxima, proporção, qualidade de execução, e perfeição,se dá um
fenómeno de espaço indisível: os
lugares começam a irradiar, fisicamente irradiam.
Eles determinam o que chamo de
"espaço indisível", isto é, um choque que não depende de
dimensões, mas sim da qualidade da perfeição. Pertence ao reino do inefável. [4]
[1] Álvaro Siza (n.1933) Prefácio in 01- Textos Álvaro Siza. Civilização Editora, rua Alberto Aires
Gouveia, 27. Porto 2009. (pág.109).
[2] Álvaro Siza, Architecture d’Aujourd’hui nº 211 out.80. Il n'y a
pas un premier stade qui serait celui dès esquisses. En même temps que je fais
dès esquisses, je travaille sur la table à dessin...
[3] Le Corbusier,(Charles-Édouard Jeanneret,1887-1965), L’espace indicible, in L’Architecture d’Aujourd’hui, numéro hors-série spécial « Art », Avril 1946, (pág. 9 a 17). O texto aparece com algumas modificações em Modulor 1, Modulor 2 e Un couvent de Le Corbusier.
Prendre possession de l'espace est le geste premier des vivants, des
hommes et des bêtes, des plantes et des nuages, manifestation fondamentale
d'équilibre et de durée. La preuve première d'existence, c'est d'occuper
l'espace.
[4] Le Corbusier, conversation enregistrée à la Tourette, in L’Architecture d’Aujourd’hui, n°
spécial Architecture religieuse,
Juin-Juillet 1961. (pág. 3). Lorsqu'une oeuvre est à son
maximum d'intensité, de proportion, de qualité d'exécution, de perfection, il
se produit un phénomène d'espace
indicible: les lieux se mettent à rayonner, physiquement ils rayonnent.Ils dèterminent ce que j'appelle “l'espace
indicible”, c'est-à-dire un choc qui ne dépend pas des dimensions mais de
la qualité de perfection.
C'est du domaine de l'ineffable.

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