segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

poemas recuperados 10

 



Thomas Eakins (1844-1916) Sailing c.1875. óleo s/tela 81 x 117,5 cm. Philadelphia Museum of Art.


o mar é da liberdade o grito mais fecundo

Homme libre, toujours tu chériras la mer!  Charles Baudelaire *

 

Aparelhar o barco, a mão firme no leme

medir o sol, caçar a vela, asa levantada.

Pelo vento azul na luz pálida que treme

partir com a vela grande toda enfunada.

 

Ir mapeando mares, mareando tempos.

Onda saltando à proa a talhar as águas,

inefável paz desses seguros momentos,

ao zarpar e esquecer todas as mágoas.

 

Saber se o sol encobre a dourada maré

ao virar de bordo sem receio nem medo

qual vento venta vagueando pelo mundo.

 

Que horizonte ousar para sem o alcançar

revelar o mais escondido do seu segredo:

o mar é da liberdade o grito mais fecundo.

 

*Charles Baudelaire (1821-1867), L’Homme et la mer XIV in Les Fleurs du Mal 2ª ed. Poulet-Malassis et de Broise Éditeurs, Paris 1861. (pág.35 e 36).

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