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segunda-feira, 9 de maio de 2022

Apontamentos sobre a Lisboa e Sevilha nos séculos XVI e XVII (11) 2

 

 Os navios no Tejo

Breve referência aos navios nas imagens de Lisboa no século XVI

Lá onde o Tejo lava a grã cidade,

Qu’em toda a Christandade espanta, & soa,

Eu digo a alta Lisboa do Occidente

Raynha, & do oriente:” [1]  

Na análise destas vistas, comecemos pelo Tejo e palas embarcações que nele estão representadas.

De facto, em todas estas vistas de Lisboa é destacado o rio Tejo onde numerosas e diversas embarcações, procuram afirmar a cidade como o grande (o maior?) porto peninsular e a sua importância para a navegação atlântica.

Camões descreve os barcos que no Tejo navegam.

“Vejo o puro, suave e brando Tejo,

com as côncovas barcas, que, nadando,

vão pondo em doce efeito seu desejo.

Uas co’ brando vento navegando,

outras cos leves remos, brandamente

as cristalinas águas apartando.  [2]   

E Sá de Miranda sublinha que:

“Vereis barcos ir à vella,

Huns que vão outros que vem,

Como que se desavem,

Com hua viração singela

Tanta força, & arte tem.” [3]

Do lado de Espanha é assinalada a importância de Lisboa como cidade portuária e a diversidade das embarcações que no Tejo navegam.

Pedro de Medina (c.1493-c.1567) no seu livro Grandezas y cosas memorables de España de 1548, refere: “En el puerto desta ciudad ay sempre grãde numero de naos, y otros muchos navios, vasos de todas suertes, y gête de todas naciones, por ser el mas principal puerto de España, y aun uno de los principales del mundo, al qual concurre gran multitude de navios. Es puerto muy seguro hecho de la misma boca del rio Tajo, que tiene três léguas de ancho.” [4]

 

E Bartholomé de Villalba y Estaña (1548-1605?), em El Pelegrino curioso y Grandezas de España descreve a diversidade de embarcações, entre as quais destaca as grandes naus que vêm da Índia e as actividades ligadas à navegação e ao comércio dos produtos (e escravos) da Ilha da Madeira e da Índia, na Ribeira de Lisboa.

“(…) ansi la falda del rio adelante fué viendo las naves tan ordinarias en aquel puerto, galeras, bateles, caravelas, bergantines, barcas, fustas, esquifes, que os da gusto ver tanto genero de navíos. Vió en su presencia llegar cinco naves de las Indias Ocidentales con gran cantidad de especias, de clavos, canela, pimienta, que esto es la mayor grandeza de su rey. Verdad es que de la Isla de la Madera le traen gran suma de pipotes, de todas conservas y otras cosas muy delicadas, de más de los negros que allí aportan de Marigongo y otras provincias. Hay, pues, en este espacio gran numero de maestros, unos haziendo vageles, otros calafateando; unos despalman, otros ensevan; más adelante hazen pipas, botas, toneles.” [5]



[1] António Ferreira (1528-1569), Archigamia Egloga I, Poemas Luzitanos do Doutor Antonio Ferreira. Dedicados por seu filho Miguel Leite Ferreira, ao Principe D. Philippe nosso senhor. Impresso com licença, Por Pedro Crasbeeck. Em Lisboa M. D. XCVIII. (pág. 71 v.).

[2] Luís de Camões, Elegia III. Obras de Luís de Camões. Lello & Irmão, Editores. Porto 1970. (pág.406).

[3] Francisco de Sá de Miranda (1481-1558), Carta II a António Pereira senhor de Basto in As Obras do Doutor Francisco de Saa de Miranda, a custa de Antonio leite, Mercador de livros, na rua nova. Lisboa M DC LXXXVII. (pág. 215).

[4] Pedro de Medina (c.1493-c.1567), Libro d[e] grandezas y cosas memorables de España. Agora de nuevo hecho y copilado por el Maestro Pedro de Medina vezino de Sevilla. Dirigido al Serenissimo y muy esclarecido Señor D. Filipe Principe de España.e Nuestro Señor. En casa de Dominico d[e] Robertis. Sevilla. M D XL VIII. (pág. 24).

[5] Bartholome de Villalba y Estaña (1548-1605?), El pelegrino curioso y grandezas de España 1577, por Bartholomé Villalba y Estañá. publícalo la Sociedad de Bibliófilos Españoles; Imprenta de Miguel Ginesta Madrid 1886-1889. Biblioteca Digital Hispánica (Tomo II, pág.90).


A nau d’amores. O valor simbólico da nau.

Em Janeiro de 1527, Gil Vicente, com o intuito de celebrar regresso que D. João III e Dona Catarina, na sua chegada solene à cidade de Lisboa, produziu “A tragicomedia seguinte he chamada Nao damores. Representouse ao muyto poderoso Rey dom Ioam o terceyro aa entrada da esclarecida & muy catholica Raynha Dona Caterina nossa Senhora, em a cidade de Lixboa. Era de M. D. XXVII.” [1]

Na peça, a personagem Príncipe da Normandia pede uma embarcação a “uma princesa em figura da Cidade de Lixboa”.

Esta responde que a embarcação disponível, é a nau de São Vicente, que pertence à Coroa:

“Pera o que mereceis

senhor pouco me pedis,

inda que a Nao que quereis

val mais que todo Paris

como vós sey que sabeis.

Porem eu fora contente

mas essa Nao nam he minha

porque foy de sam Vicente

& he del Rey & da Raynha…” [2]

O Príncipe da Normandia pede então para construir uma nau, que se chamará nau d’amores, nos estaleiros de Lisboa que então são conhecidos por fabricar os melhores navios.

“Por remedio de mis Dolores

dadme licencia entera

que se haga uma Nao damores

aqui en vuestra Ribera

Dose hazen las mejores.” [3]

A nau que se chamará Nau d’amores, é então descrita pelo Príncipe numa longa fala, em que se enumeram os materiais e as componentes da nau identificadas com os encantos e desencantos do amor.

“Ha de ser desta manera

Para navegar segura,

La voluntad la madera

Y la razon plegadura

Dorada toda de fuera.

Las estopas de recelos

Bincados de diez en diez

Y los castillos de celos

Y la tristeza la pez

Tanta que cubran los cielos.

El mastel de fee segura

Y la vela desperança,

La gavea de hermosura

El traquete de lembrança,

La mezena de dulçura.”  [4]



[1] Gil Vicente(c.1465-c.1536), Naodamores,in Copilaçam de todalas obras de Gil Vicente, a qual se reparte em cinco Livros. Empremiose em a muy nobre, & sempre leal Cidade de Lixboa, em casa de Ioam Alvarez impressor del Rey nosso senhor. Anno de M. D. LXII. (Livro terceiro, pág. CLXV).

[2] Gil Vicente(c.1465-c.1536), Naodamores,in Copilaçam de todalas obras de Gil Vicente, a qual se reparte em cinco Livros. Empremiose em a muy nobre, & sempre leal Cidade de Lixboa, em casa de Ioam Alvarez impressor del Rey nosso senhor. Anno de M. D. LXII. (Livro terceiro, pág. CLXVII).

[3] Gil Vicente (c.1465-c.1536), Não damores, in Copilaçam de todalas obras de Gil Vicente, a qual se reparte em cinco Livros. Empremiose em a muy nobre, & sempre leal Cidade de Lixboa, em casa de Ioam Alvarez impressor del Rey nosso senhor. Anno de M. D. LXII. (Livro terceiro, pág. CLXVII).

[4] Gil Vicente (c.1465-c.1536), Não damores, in Copilaçam de todalas obras de Gil Vicente, a qual se reparte em cinco Livros. Empremiose em a muy nobre, & sempre leal Cidade de Lixboa, em casa de Ioam Alvarez impressor del Rey nosso senhor. Anno de M. D. LXII. (Livro terceiro, pág. CLXVII).


As embarcações na Crónica de D. Afonso Henriques

 Nas imagens de Lisboa, por entre diversos tipos de embarcações, são salientadas as naus e galeões de longo curso.

As naus dos finais do século XVI eram navios de grande calado, de três e quatro mastros, com aparelhos redondos e velas latinas, altos castelos de popa, aptos para transporte de grandes cargas, mas, simultaneamente, prontos para combates navais.

Na imagem do início de Quinhentos, da Crónica de D. Afonso Henriques, entre duas naus navegam 3 caravelas latinas de dois mastros, utilizadas em viagens de médio curso ou como apoio a armadas de naus ou galeões. Estão representadas duas sétias (galés) e diversos bergantins. 

fig. 11 – Pormenor do frontispício da Chronica do Muito Alto e Muito Esclarecido Príncipe D. Afonso Henriques, Primeiro Rey de Portugal. 1508.

Na Genealogia dos Reis de Portugal 

fig. 12 - Simon Bening (1483 – 1561) e António d’Olanda (1480-c.1558?), Pormenor de Tavoa Primeira dos Reys, Tronco do conde D. Anrique, 1530/34, Fólio 7r da "Genealogia dos Reis de Portugal", MS. 12531, British Library.

À esquerda, duas naus vistas de proa e de popa, as velas enfunadas.

Duas galés.

Três naus com o velame recolhido.

Uma embarcação com um só mastro.

Duas caravelas com duas latinas e uma com apenas uma latina.

 

As embarcações no Prospecto de Lisboa da Biblioteca de Leiden

No Prospecto de Lisboa o anónimo autor desenha, com minuciosos detalhes, as naus que navegam ou estão ancoradas no Tejo, por entre outras embarcações menores. 

fig. 13 – Anónimo. Prospecto de Lisboa c.1530, com as embarcações numeradas de 1 a 9, sobre o desenho em 17 folhas, pena e aguada, cor, 75 x 245 cm. Leiden University Libraries. 

As embarcações da esquerda para a direita:

1 -  Uma nau, vista de bombordo, ancorada e com o velame recolhido.

fig. 14 - Pormenor do desenho da Biblioteca da Universidade de Leiden.

2 – Uma nau ancorada vista pela proa. 

fig. 15 - Pormenor do desenho da Biblioteca da Universidade de Leiden.

3 – Outra nau, vista de bombordo, com o velame recolhido.

fig. 16 - Pormenor do desenho da Biblioteca da Universidade de Leiden.

4 – Uma nau navegando a todo o pano, na direcção do espectador.

fig. 17 - Pormenor do desenho da Biblioteca da Universidade de Leiden.

5 – Uma nau ancorada vista de perfil e onde marinheiros se ocupam da sua manutenção.

fig. 18 - Pormenor do desenho da Biblioteca da Universidade de Leiden.


6 – Uma nau navegando, a todo o pano, rumo ao sul.

fig. 19 - Pormenor do desenho da Biblioteca da Universidade de Leiden.

7 – Uma nau, fortemente armada, vista de bombordo e navegando, a todo o pano, para poente.

fig. 20 - Pormenor do desenho da Biblioteca da Universidade de Leiden.

8 – Outra nau, onde também se notam os canhões, navegando a todo o pano, hasteando a bandeira portuguesa.

fig. 21 - Pormenor do desenho da Biblioteca da Universidade de Leiden.

9 – A Vista de lisboa da Biblioteca de Leiden mostra ainda uma caravela latina de três mastros, armada com peças de fogo.

fig. 22 - Pormenor do desenho da Biblioteca da Universidade de Leiden.

A nau Santa Catarina de Monte Sinai

Para melhor se compreender os navios desta época, uma conhecida pintura de Joachim Patinir (c.1480-1524), em que se vê, em primeiro plano, à popa e em pormenor, uma nau dos finais do século XV e início do século XVI, com todo seu velame. 

fig. 23 - Joachim Patinir (c.1480-1524), Portuguese carracks off a rocky coast c. 1540 National Maritime Museum Greenwich London.

Esta nau das Índias seria a Santa Catarina de Monte Sinai, rodeada por três outras naus e uma galé, no que se julga ser o desembarque em Nizza (Nice), em 1521, da princesa Beatriz de Portugal (1504-1538) filha de D. Manuel I, que embarcou no Santa Catarina do Monte Sinai para o seu casamento com Carlos III o Bom, (1486-1553), Duque de Sabóia de 1504 a 1553.

Garcia de Resende refere e situa no tempo a partida de D. Beatriz, em 1521.

“E ao sabado polla manhã dia de sam Lourenço dez dias do dito mes dagosto do dito anno de mil & quinhentos & vinte hum ãnos a senhora iffante com toda a frota de sua armada partio & sayo de foz em fora& fez sua viagem. Que prazeraa a nosso senhor Deos ser tâto por seu bem & descanso quanto elrey seu pay & a senhora raynha o principe & hos iffantes seus irmãos & ela mesma desejã & todos desejamos. Amê.” [1]

 

E Gil Vicente (c.1465-c.1536), entre os diversos festejos então organizados, escreve uma peça “Cortes de Jupiter” que o próprio autor refere ter sido “feyta ao muyto alto & poderoso Rey dom Manoel o primeyro em Portugal deste nome, aa partida da illustríssima senhora infante dona Beatriz duquesa de Saboya, da qual sua invenção he, que o senhor deos querendo fazer merce aa dita senhora, mandou sua providencia por mensageira a Iupiter rey dos elementos, que fizesse cortes em que se concertassem planetas sinos em favor de sua viagem. Foy representada nos paços da ribeyra na cidade de Lixboa. Era de M.D.XIX.” [2]

 


[1] Garcia de Resende, (1470?-1536), Ida da iffante Dona Beatriz pera Saboya no Livro das obras de Garcia de Resêde que tracta da vida & grandissimas virtudes: bõdades: magnanimo esforço: excelêtes costumes & manhas & muy craros feitos do christianissimo: muito alto & muyto poderoso.. el rey dom João o segundo deste nome: & dos Reys de Portugal o trezeno de gloriosa memoria: começado de seu nascimêto & toda sua vida ate ora de sua morte: cõ outras obras que adiante se seguem. Manoel da Costa o fez em Evora a XXVI dias do mes de Janeiro de mil quinhento & trinta & seys annos.

[2] Gil Vicente (c.1465-c.1536), Cortes de Júpiter, no Livro Terceyro da Copilaçam de toda las obras de Gil Vicente, a qual se reparte em cinco livros. Foy impresso em a muy nobre, & sempre leal cidade de Lisboa, por Andres Lobato. Anno M.D. LXXXVI. BND. (pág. 193).

As embarcações na imagem de Lisboa do Civitates de 1572 

fig. 24 – Navios no Tejo. Pormenor de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590) Olisipo, sive ut persetustae lapidum inscriptiones habent, Ulysipo, vulgo Lisbona Florentissimum Portugalliae Emporiv 1572. Civitates Orbis Terrarum Vol. I 1572.

No centro da imagem destacam-se duas naus e, junto ao cais, uma galé.

A nau da esquerda, de três cobertas, tem apenas arvorada a vela redonda do traquete (o mastro pequeno), e a gávea do mastro de proa recolhida.

No mastro grande estão recolhidas as redondas: a vela grande e a gávea.

Estão também recolhidas a latina da mezena (o mastro de popa) e a cevadeira (no mastro horizontal da proa.

Um escaler está junto da nau enquanto outros remam para terra, no que parece ser um desembarque.

fig. 25Uma nau de 3 mastros. Pormenor de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590) Olisipo, sive ut persetustae lapidum inscriptiones habent, Ulysipo, vulgo Lisbona Florentissimum Portugalliae Emporiv 1572. Civitates Orbis Terrarum Vol. I 1572.

A outra nau com 3 cobertas, com dois mastros à popa (mezena e contra-mezena), e por isso, por muitos chamada de galeão.

Apresenta uma espécie de esporão de ataque na proa, e está fundeado e ancorado, aparentemente sem ninguém a bordo. 

fig. 26 - Uma outra nau com dois mastros de mezena. Pormenor de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590) Olisipo, sive ut persetustae lapidum inscriptiones habent, Ulysipo, vulgo Lisbona Florentissimum Portugalliae Emporiv 1572. Civitates Orbis Terrarum Vol. I 1572. 

Um escaler com quatro remadores transporta para terra três personalidades, com um desenho mais detalhado na versão da gravura de Sebastien Münster. 

fig. 27 -  Sebastien Münster, Pormenor de Lisbona. Xilogravura 26 x 33 cm. Cosmographey oder beschreibung aller Länder" 1598 Basel. BND.

Os navios no Tejo na Lissabon do Civitates de 1598. 


fig. 28 – O Tejo e a zona ribeirinha de Lisboa. Pormenor de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590), Lissabon in Civitates Orbis Terrarum 1598.

Dos vários navios escolhemos os dois do primeiro plano.

Uma nau e um galeão fundeados com o velame recolhido.

fig. 29 – Pormenor de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590), Lissabon in Civitates Orbis Terrarum 1598.

E uma outra nau com quatro mastros (como se disse, que alguns chamam de galeão), também fundeada e toda embandeirada. 

fig. 30Pormenor de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590), Lissabon in Civitates Orbis Terrarum 1598.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Apontamentos sobre a Lisboa e Sevilha nos séculos XVI e XVII (10) 7ª parte

 

Apontamento 10 - Descrição de Sevilha a partir da imagem de Braun e Hogenberg 1588
 
Sevilha extramuros (continuação)

 

Cap.  32
Os Arredores a Nascente na parte superior da imagem do Civitates

Entre os Canos de Carmona e o Guadalquivivir situavam-se, no sentido contrário aos ponteiros do relógio, as Portas:

Porta do Ossario (32)

Porta do Sol (31)

Porta de Cordova (30)

Porta de Macarena (29)

Porta de Almenilla (28)

 fig. 26 - Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).

 Entre as portas de Carmona e do Ossário situavam-se o Mosteiro de Santo Agostinho e o Arrabalde da Porta de Carmona.

Monasterio de S. Agustin (inscrito na imagem) 

fig. 27 – Mosteiro de santo Agostinho. Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).

Alonso Morgado situa o mosteiro.

“Luego alli cerca del Monasterio de san Benito de Silos está el Monasterio de San Augustin mas llegado a la Puerta de Carmona, en cuyo sitio uvo primero una casa en forma de Monasterio con titulo de Sancti Spiritus de mugeres Religiosas, sin que se acabe de entender, si hazian profession como Monjas, no obstante que guardavan la misma clausura, y recogimiento.” [1]

fig. 28 – Torres de São Francisco e Santo Agostinho. Pormenor da pintura de Sanchez Coello. Século XVI, antes de 1588..

Arraval dela puerta de Carmona (I)

fig. 29 – Arrabalde e Porta de Carmona. Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).


[1] Alonso Morgado, Historia de Sevilla en la cual se contienen sus antigüedades, grandezas y cosas memorables en ella acontecidas desde su fundación hasta nuestros tiempos, Compuesta y ordenada por Afonso Morgado, indigno Sacerdote, natural de la villa de Alcantara, en Estremadura. En la Imprenta de Andrea Perscioni y Ioan de Leon Sevilla 1587 (pág. 393).


Cap. 33
As Portas a nascente

Porta do Ossario (32)
Porta do Sol (31)
Porta de Cordova (30)
Porta de Macarena (29)

Porta de Almenilla (28)

 

fig. 30 - Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590). 

(32) Puerta del Osario

A Porta do Ossário assim chamada pelo cemitério árabe que se situava nas proximidades, como aponta Alonso Morgado:

“La Puerta del Ossario, porque siendo Sevilla de Moros, tenían ellos por aquella parte fuera de la ciudad sus enterramientos, y sacavan por ella los muertos.”  [1]

fig. 31 – Puerta del Ossario. Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).

Rodrigo Caro adianta ainda uma outra explicação para o nome da Porta, cujo nome provinha de ser ali que se pesava a farinha que vinha dos moínhos das redondezas.

“La puerta del Ossario parece conserva el antiguo nombre Latino; porque dizen, que por alli sacavan a enterrar los muertos. Otros le llaman puerta del Onçario; y este es nõbre que retiene el vulgo (que a vezes conserva mejor el origen delas vozes, que los demasiadamente cultos) por ventura se llamó assi de la voz Uncíario, porque allí de muy antiguo estuvo el peso de la harina.[2]


 (31) Puerta del Sol

Nas muralhas medievais a Porta do Sol situava-se a nascente. Por isso Alonso Morgado assim a refere ao descrever as portas da muralha de Sevilha.

“La Puerta del Sol, porque esta a la parte del Oriente.” [3]

Tinha um Sol representado no lintel da porta.

fig. 32 – Porta do Sol. Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).


Monasterio dela trinitad. (inscrito na imagem).

Junto da Porta do Sol situava-se o Mosteiro da Santíssima Trindade. 

fig. 33 – Mosteiro da Trindade. Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).

Alonso Morgado refere que “El Monasterio dé la Sanctissima Trinidad es uno dé los primeros, que se fundaron en Sevilla, despües que los Moros fueron echados della como parece por este Previlegio, que concedió a sus Frayles Trinitarios el Rey Don Alonso el Sabio…” [4]

(30) Puerta de Cordoba. Porta de Cordoba

Situava-se entre a Porta do Sol e a Porta da Macarena. Alonso Morgado na sua descrição das portas da muralha de Sevilha refere:

“La de Cordova, porque se sale de Sevilla derechamente para Cordova.” [5] 


fig. 34 – Porta de Córdova. Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).

Hermita de S. Iusta i S. Rufina. (inscrito na imagem).

 Junto da Porta de Córdova situava-se a Ermida de Santa Justa e Santa Rufina.

Alonso Morgado refere a ermida das duas santas no local onde houvera existido o mosteiro de São Leandro.

“(…) a fuera déla Ciudad a la puerta de Cordova, que ya nos podría dar que pensar, si estuvo el Monasterio donde agora es (ala misma puerta de Cordova) la hermita de las dos sanctas hermanas Iusta y Rufina: como quiera que entorno déla misma hermita parecen cimientos y vestigios de antíguo y mayor edificio, y juntamente cõ esto son del Monasterio de San Leandro unas haças de pan que alindan con la misma hermita, y esto de tiempo inmemorial.” [6] 

fig. 35 -  Ermida de santa Justa e santa Rufina. Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).

 (29) Puerta de Macarena

Alonso Morgado explica: “Como es que la Puerta de Macarena tomó su nombre de un Moro principal llamado Macarena por quanto salia el por esta Puerta para una su heredad media légua de Sevilla, donde hasta oy permanece una Torrezilla llamada Macarena del nombre dette Moro, que la edificó en aquella su pertenencia. Y por la mifma razón se llama oy también aquel Collado la Cabeca de Macarena en el camino de la Rinconada pueblo de aquel tiempo una legua de Sevilla.” [7]

fig. 36 -  Porta de Macarena. Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).

 E Peraza assinala a importância da rua que parte da Porta de Marcarena:

“Es pues la principal calle de Sevilla la de la Puerta Macarena, la qual es tan larga que atraviesa a toda Sevilla por la mitad[8]

E o poeta Lope de Vega, refere a Porta de Macarena na comédia El Amante agradecido.

“Ora es de partirme yo,

Que me aguarda, y tengo pena

En la puerta de Macarena

Un hombre que ayer me hablò,

Que es de la tierra, y no es bien

Perder en viaje largo,

La companhia no encargo

Lo que vos sabyens tanbien.” [9]

Hospital del Duq de Alcalá (inscrito na imagem)

No Arrabal da Macarena, junto à porta da Macarena (29), o Hospital do Duque de Alcalà ou Hospital de Sangre, sobretudo conhecido como Hospital de las Cinco Chagas de Nuestro Redentor.

 fig. 37 – Hospital do Duque de Alcalá. Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).

Diego de Zuñiga aponta a sua fundação:

“El Hospital de la Sangre, ò de las cinco Llagas, obra de la grandeza de Doña Catalina de Ribera*, esclarecida Matrona, y fu su hijo el insigne Marquês de Tarifa Don Fadrique Henriquez de Ribera**, es en la Hospitalidad el mayor ornamento de Sevilla, começado el año de 1500 por Doña Catalina, en las casas que oy estã el de las Bubas, y engrandecido con la herencia, y dotación de el Marqués, á que ninguna particularidad falta, de quantas a hazer grandiosas las semejantes, pueden desearse, sumptuosidade de edificio, cuya exterior fachada, es el primer semblante de su excelencia, su Templo, sus enfermerias, pieças en que se pierde de vista su fin, a este parangón su riqueza, y al de uno, y otro su puntualidad; de su primera institucion, unicamente para mugeres, aunque ya tiene dotaciones para hombres.” [10]

[*Catalina de Ribera y Mendoza (1447-1505)

**Fadrique Enríquez de Ribera (1476-1539) I Marquês de Taifa e VI Adelantado maior de Sevillha.]

O novo edifício do Hospital, executado segundo um projecto de Martín de Gainza (1505-1556), foi iniciado com a colocação da primeira pedra em 12 de Maio de 1546, prosseguindo as obras até à morte do arquitecto.

Em 1558 é nomeado para dirigir as obras Herman Ruiz (c.1514-1569). Entre 1569 e 1584, foi o irmão de Hermán Ruiz, Francisco Sánchez, que dirigiu os trabalhos.

Já no século XVII o Hospital vai consolidando a sua arquitectura.

fig. 38 – Anónimo, O hospital na peste de 1649.

 E em 1668-1669 o italiano Pier Maria Baldi (1630-1686), artista que acompanhou, o príncipe Cosimo III (1642-1723), Grand-Duque da Toscania na sua viagem por Espanha e Portugal, (e ainda França, Bélgica e Holanda), produz uma série de desenhos de vistas de cidades ibéricas, entre as quais Sevilha. [11]

Entre esses desenhos um do monumental Hospital das Cinco Chagas no século XVII.

 

fig. 39 - Pier Maria Baldi (1630-1686), hospital das Cinco Chagas 1668, aguarela in Lorenzo Magalotti (1637-1712 - Viaje de Cosme de Médicis por España y Portugal (1668-1669)  - edicion y notas por Angel Sánchez Rivero y Angela Mariutti de Sánchez Rivero. Madrid : Sucesores de Rivadeneyra, [1933]. - XXVI, 347 p. + 1 pasta (3 f., 71 estampas) ; 25 cm, 51x67 cm. (pág. LXI). http://purl.pt/12926 BND.

(2) Arraval dela Puerta de Macarena 

fig. 40 – Arrabalde da Porta de Macarena. Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).

O arrabalde de Macarena terá sido o mais antigo de Sevilha.

Teve nova importância no século XVI sobretudo pela criação de alojamentos para os trabalhadores que estavam a construir o Hospital das Cinco Chagas, como se pode ver na vista de Pier Maria Baldi (fig. 118).

La Rinconada (inscrito na imagem)

fig. 41 – La Rinconada.  Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).

La Rinconada, afirma Rodrigo Caro é um pueblo de aquel tiempo una legua de Sevilla” .[12] 

A povoação situava-se na margem esquerda do Guadalquivir, e o seu nome - La Rinconada  - deriva de “rincon” (canto) pelo ângulo ou “cotovelo” que o rio forma junto a ela.

Mal Lara assinala que Felipe II, na sua visita a Sevilha, em 1570, esteve “en la Rinconada, pueblo pequeño, casi a la ribera de Guadalquiuír junto a Alcala del rio…” [13] 

E ainda no mesmo texto prossegue afirmando:

“De allí a media legua en el camino de Sevilla, está la Rinconada, que es de su jurifdicion, junto al Rio, que llaman Guadalquivir, con un Braço que entra por su tierra y es Collación, de Sevilla, tiene Privilegio de meter sus vinos en ella, y si las puertas estuvieren cerradas, lo puede meter por encima de las cercas.” [14]

 (28) Puert[a] de almenilla 

fig. 42 – Porta de Almenilla. Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).

 A Porta de Almenilla, também chamada de la Barqueta, por se situar junto do Guadalquivir, e no local havia uma embarcação que permitia a travessia do rio dando acesso a Santiponce.

Essa proximidade do Guadalquivir tornava-a sensível às frequentes inundações provocadas pela subida das águas do rio.


[1] Alonso Morgado, Historia de Sevilla en la cual se contienen sus antigüedades, grandezas y cosas memorables en ella acontecidas desde su fundación hasta nuestros tiempos, Compuesta y ordenada por Afonso Morgado, indigno Sacerdote, natural de la villa de Alcantara, en Estremadura. En la Imprenta de Andrea Perscioni y Ioan de Leon Sevilla 1587 (libro segundo pág.134).

[2] Rodrigo Caro (1573-1647), Antiguedades y Principiado de la Ilustrissima Ciudad de Sevilla. Y Chorographia de su Convento Iuridico, o antigua Chancilleria. En Sevilla, por Andres grande. Impressor de Libros. Sevilla Año 1634. (Libro primero, pág. 21).

[3] Alonso Morgado Historia de Sevilla en la cual se contienen sus antigüedades, grandezas y cosas memorables en ella acontecidas desde su fundación hasta nuestros tiempos, Compuesta y ordenada por Afonso Morgado, indigno Sacerdote, natural de la villa de Alcantara, en Estremadura. En la Imprenta de Andrea Perscioni y Ioan de Leon Sevilla 15 (pág. 133).

[4] Alonso Morgado, Historia de Sevilla en la cual se contienen sus antigüedades, grandezas y cosas memorables en ella acontecidas desde su fundación hasta nuestros tiempos, Compuesta y ordenada por Afonso Morgado, indigno Sacerdote, natural de la villa de Alcantara, en Estremadura. En la Imprenta de Andrea Perscioni y Ioan de Leon Sevilla 1587 (libro quinto pág. 129).

[5] Alonso Morgado, Historia de Sevilla en la cual se contienen sus antigüedades, grandezas y cosas memorables en ella acontecidas desde su fundación hasta nuestros tiempos, Compuesta y ordenada por Afonso Morgado, indigno Sacerdote, natural de la villa de Alcantara, en Estremadura. En la Imprenta de Andrea Perscioni y Ioan de Leon Sevilla 1587 (pág. 133).

[6] Alonso Morgado, Historia de Sevilla en la cual se contienen sus antigüedades, grandezas y cosas memorables en ella acontecidas desde su fundación hasta nuestros tiempos, Compuesta y ordenada por Afonso Morgado, indigno Sacerdote, natural de la villa de Alcantara, en Estremadura. En la Imprenta de Andrea Perscioni y Ioan de Leon Sevilla 1587 (libro quinto pág. 151).

[7] Alonso Morgado, Historia de Sevilla en la cual se contienen sus antigüedades, grandezas y cosas memorables en ella acontecidas desde su fundación hasta nuestros tiempos, Compuesta y ordenada por Afonso Morgado, indigno Sacerdote, natural de la villa de Alcantara, en Estremadura. En la Imprenta de Andrea Perscioni y Ioan de Leon Sevilla 1587 (libro segundo pág.133).

[8] Luis Peraza, La Historia de Sevilla (manuscrito) in Francisco Morales Padrón (1924-2010), Boletin de la Real Academia Sevillana de Buenas Letras: Minervae Baeticae, nº 6, 1978 (pág. 76 a 174). (pág. 163).

[9] Lope de Vega (1562-1635), El amante agradecido in Decima parte de las Comedias de Lope de Veja Carpio, Familiar del Santo Oficio. Sacadas de sus originales. Com privilegio Por Diego Flamennco Madrid Ano 1621. (pág. 112).

[10] Diego de Ortiz Zuñiga (1636-1680) Annales eclesiasticos, y seculares de la muy noble, y muy leal civdad de Seuilla, metropoli de la Andaluzia. Que contiene sus mas principales memorias desde el año de 1246. En Madrid: en la Imprenta Real, por Iuan García Infançon. Acosta de Florian Anisson, Mercader de Libros. Madrid 1677. (Libro XV, pág. 571).

[11] Os originais encontram-se na Biblioteca Laurenciana de Florença e foram publicados pelo Centro de Estudos Históricos de Madrid “Viagem de Cosme de Medicis por España y Portugal (1668-1669). Edicion y notas de Angel Sanches Rivero, Madrid.” existente na Biblioteca Nacional de Portugal.

[12] Alonso Morgado, Historia de Sevilla, en la cual se contienen sus antigüedades, grandezas y cosas memorables en ella acontecidas desde su fundación hasta nuestros tiempos, Compuesta y ordenada por Afonso Morgado, indigno Sacerdote, natural de la villa de Alcantara, en Estremadura. En la Imprensa de Andrea Fescioni y Iuan de Leon Sevilla 1587. (pág. 133)

[13] Juan Mal Lara, Recibimiento que hizo la muy noble y muy leal ciudad de Sevilla a la C. R. M. del Rey don Felipe N. S. Con una breve descripción de la ciudad y su tierra, impreso en Sevilla, en casa de Alonso Escrivano, en la calle de la Sierpe. Acabóse a veinte y nueve días del mes de Agosto. Sevilla Año de mil y quinientos y setenta. Sevilla 1570 (pág.11).

[14] Juan de Mal Lara, Recibimiento que hizo la muy noble y muy leal ciudad de Sevilla a la C. R. M. del Rey don Felipe N. S. Con una breve descripción de la ciudad y su tierra, impreso en Sevilla, en casa de Alonso Escrivano, en la calle de la Sierpe. Acabóse a veinte y nueve días del mes de Agosto. Sevilla Año de mil y quinientos y setenta. Sevilla 1570. (pág. 140v).

Cap. 34

Arredores a Norte

Puerta de S. Juan, Sevilla la vieia, Santiponce, e Camas.

fig. 43 - Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).

 (27) Puerta de S. Juan 

fig. 44 - Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590). 

fig. 45 - Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).

A Porta de S. João, assim chamada pela proximidade da Igreja de S. João d’Acre, teve inicialmente uma grua para carga e descarga das mercadorias que chegavam pelo Guadalquivir. Em 1574 a grua foi substituída pela da Torre del Oro.

Sevilla la Vieia (inscrito na imagem)

A antiga cidade romana de Itálica a cerca de meia milla da cidade, fundada em 206 a. C. por Publio Cornelio Cipião o Africano, após a vitória sobre os cartagineses em Alcalá del Rio.

Na imagem está representado o grande anfiteatro com 160 metros no eixo maior.

Em Italica nasceram os imperadores Trajano, (Marcus Ulpius Traianus 53-117) imperador de 98 a 117, sucedendo-lhe o sobrinho Adriano (Publius Aelius Hadrianus 76-138) imperador de 117 a 138.

fig. 46 - Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).

Andrea Navagero surpreende-se por este anfitetatro:

“Tra quele vi è un Amphiteatro non molto grande, il quale serva, per fino al dì d’hoggi, ancor tutta la forma, & i suoi gradi, ma anche molte parte son ruinate, & tutti i marmori, & pietre vive che vi erano sono levate via, se vi vedino ancho i vestigy di un tempio, & di Therme, secondo che si puo comprendere, ma nessuna cosa è si inteira, come l’amphiteatro, tutto il resto è confuso, & solamente pien di ruine, che non mostrano quel che erano le cose.” [1]

[Entre elas está um anfiteatro não muito grande, que ainda serve, até hoje, com toda a forma, e degraus, embora muitas partes estejam arruinadas, e todos os mármores e pedras que ali estavam foram removidas. Vê-se também os vestígios de um templo e de umas Termas, mas nada está tão inteiro, como o anfiteatro, tudo o resto é confuso, e apenas cheio de ruínas, que mostram como as coisas teriam sido.]

E Alonso Morgado situa Italica e refere também o Anfiteatro.

 “La ciudad llamada Italica cuyo sitio quieren, los que mejor lo entienden, que sea el mismo, a que llaman Sevilla la Vieja, muy cerca del Monasterio de San Isidro vna legua pequeña de Sevilla, de aquella vanda de Guadalquivir; donde se veen oy en dia grandes destroços y vestigios de sobervios edificios Romanos con todo el circuyto de su muy estendido muro todo arrasado, y en medio mas levantados lienços de paredes, y pedaços de un Amphiteatro muy sumptuoso. Llama el vulgo á esta ciudad por este nombre Sevilla la Vieja, sin otro fundamento de razon por verla assi arruynada, y a estotra verdadera Sevilla en pie ilustrada y fuerte.” [2]

Santiponce (inscrito na imagem)

Rodrigo Caro escreve: “(…) las tierras de Santiponce, que está tres quartos de legua de Sevilla rio arriba, inmediatamente nombra a Itálica, y oy día se llaman aquellas vegas, y campos, los campos de Talca.” [3]  

fig. 47 - Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).

Santiponce estava então na margem do Guadalquivir e sofria de constantes inundações pelo que em 1603, foi quase toda de novo edificada sobre a cidade romana de Italica, em terrenos cedidos pelo vizinho mosteiro de Santo Isidro.

(7) Camas

Alonso Morgado refere que:

“Pequeña media legua por cima de Triana se vee Camas en las Vegas de Guadalquivir Alcaria en la qual dize el repartimiento; que avia quinze mil pies de Olivar, y de Higueral, y por medida de tierra mil y seyscientas arançadas.” [4]

fig. 48 – Camas. Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).


[1] Andrea Navagero (1483-1529), Il Viaggio fatto in Spagna, et in Francia, dal Magnifico M. Andrea Navagiero, fu oratore dell’Ilustrissimo Senato Veneto, alla Cesarea Maesta di Carlo V. Com la descrittione particolare delli luochi, & costumi delli popoli di quele Provincie. In Vinegia apresso Domenico Farri. 1563. (pág.  ).

[2] Alonso Morgado, Historia de Sevilla en la cual se contienen sus antigüedades, grandezas y cosas memorables en ella acontecidas desde su fundación hasta nuestros tiempos, Compuesta y ordenada por Afonso Morgado, indigno Sacerdote, natural de la villa de Alcantara, en Estremadura. En la Imprenta de Andrea Perscioni y Ioan de Leon Sevilla 1587 (Libro primero pág.25)

[3] Rodrigo Caro (1573-1647), Antiguedades y Principiado de la Ilustrissima Ciudad de Sevilla. Y Chorographia de su Convento Iuridico, o antigua Chancilleria. En Sevilla, por Andres grande. Impressor de Libros. Sevilla Año 1634.

Antiguidades y principado 1634 Libro III (pág. 102v)

[4] Alonso Morgado, Historia de Sevilla en la cual se contienen sus antigüedades, grandezas y cosas memorables en ella acontecidas desde su fundación hasta nuestros tiempos, Compuesta y ordenada por Afonso Morgado, indigno Sacerdote, natural de la villa de Alcantara, en Estremadura. En la Imprenta de Andrea Perscioni y Ioan de Leon Sevilla 1587 (libro segundo pág.121).

Cap. 35

Monasterio de S. Ysidro e Santa brigita

fig. 50 - Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).

Monasterio de S. Ysidro

fig. 50A - Mosteiro de Santo Isidro. Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).

Afirma Navagero:

“Passata la Certosa a una lega, o poco più da Sevilla vi è un’altro monasterio bellissimo detto Santo Isidoro, dove dicono, che era Sevilla anticamente, ma è falso, perche Sevilla era dove è. Il monanasterio è assai bello (come ho deto) ancho lui, ma quel che è piu bello è, che vi si vedeno infinite rovine antique.” [1]

[Depois de passar a Cartuxa a uma légua, ou um pouco mais além de Sevilla, existe um outro belíssimo mosteiro chamado Santo Isidoro, onde dizem que era Sevilla nos tempos antigos, mas é falso, porque Sevilla era onde está. O mosteiro é bastante belo (como já disse), mas o mais bonito é a vista sobre infinitas ruínas antigas.]

E Alonso Morgado apresenta o “Insigne monasterio de San Isidro de Frayles Hieronymos”.

“El Nobilissimo, Y Magnanimo Don Alonso Perez de Guzman (Cognominado por su singular bondad el Bueno) fundador de la Casa de los Duques de Medina Sidonia , cuya era toda aquella tierra, y pertinência de alrededor de Sevilla la vieja, teniendo a merced del Cielo tener dentro della el sancto Sepulchro, y Relicario, donde (segun diversas vezes se ha repetido) aparecio el cuerpo del glorioso San Isidro, quando fue llevado a Leon, se determinó, en fundar alli un Monasterio de Frayles com Invocacion, y Titulo del mismo San Isidro.” [2] 

Santa brigita (inscrito na imagem)

fig. 51 – Santa Brigida. Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).

Na vista do Civitates a ermida de Santa Brígita está representada sobre uma elevação de terreno denominada Cerro de Santa Brrígida.

Juan Mal Lara refere que Felipe II na sua visita a Sevilha, visitou em Camas o Cerro de Santa Brígida (Santa Brígida da Irlanda (453 - 524) e a pequena ermida que então alí existia.

“Descubrióse luego a Su Majestad el cerro de Santa Brígida, con toda aquella verde montaña que va hasta adelante de Gelvés, por donde se da principio al Aljarafe, mostrando un paño hermosísimo de verduras con sus extendidos prados y casas blancas, llevando a la mano siniestra los muros de la ciudad, desde la puerta de Bibaragel y San Juan, hasta dar en la parte del río que hace las islas enfrente las Cuevas”  [3]

Cap. 36
Povoações na parte superior da imagem

El Algaba, Castilleja de Guzman, e Castilleja de la Cuesta. 

fig. 52 - Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).

(12) El Algaba

Alonso Morgado:

“A la Villa del Algava, que da titulo de Marques, al Señor cuya es, por cima de Sevilla una legua en la Ribera de Guadalquivir, tomò el Rey para su Almazen.” [4]

Em Algava (Algaba do árabe Al-gabba = o bosque) destaca-se a Torre de los Guzmanes mandada construir por Juan de Guzmán y Torres, primeiro senhor de La Algaba, concluída por volta do ano de 1446 como indica a lápide na porta de entrada.

Em 1556 Felipe II atribui a Francisco de Guzman y Manique o título de Marquês de Algaba.

fig. 53 – El Algaba. Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).

(5) Castilleia de Guzmán (Castilleja de Guzman)

 fig. 54 – Castilleja de Guzman. Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).

Antiga Castilleja de Alcântara modificou o nome quando os Guzman a passaram a administrar.

Alonso Morgado

“la Villa de Castilleja de Guzman, llamada assi del Apellido del Ilustrissimo Don Henrique de Guzman Conde de Olivares* Embaxador de su Magestad en Roma, que la compró por este nuestro tiempo, aviendo conservado hasta entonces su antiguo titulo, y nombre, de Castilleja de Alcantara, con la otra villa de Heliche. La Castilleja una legua de Sevilla, y Heliche dos mas adelante en su Axaraphe…” [5]

[*Enrique de Guzman (1540-1607), filho do 1º Conde de Olivares Pedro Pérez de Guzmán, título atribuído por Carlos V em 1539.]

(6) Castilleia dela Cuesta (Castilleja de la Cuesta)

fig. 55 – Castilleja de la Cuesta. Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).

 Castilleja de la Cuesta a cerca de uma légua de Sevilha e assim chamada quando o Conde de Olivares, entre os anos de 1538 e 1540, adquiriu Heliche, Castilleja de Alcántara (Castilleja de Guzman) e Castilleja de la Cuesta.

 Em 1547 num palacete de Castilleja de la Cuesta de D. Alonso Rodríguez, morreu Herman Cortés de Monroy y Pizarro Altamirano (1485-1547), o conquistador do México.

Cap. 37

Monasterio de las Cuebas (inscrito na imagem)

fig. 56 – Mosteiro de las Cuevas. Pormenor de Sevilha 1588 no Civitates Orbis Terrarum de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590).

Ainda no século XV, Jerónimo Munzer, na sua Viaje por España y Portugal, refere o mosteiro:

 “Extramuros de Sevilla, al otro lado del Betis y al occidente, hay un célebre monasterio de cartujos llamado de Nuestra Señora de las Cuevas, cuya fábrica es verdaderamente admirable. Tiene un refectorio con mesas de mármol blanco, bellísima capilla, buenas celdas, con sus dormitorios en un piso superior y sus respectivos vestíbulos con mucho primor construidos; lindos jardines y uno amenísimo en el centro del edificio, plantado de jazmines y naranjos, en el que han hecho con arrayán caprichosas labores. En el cementerio, vi un árbol de enormes hojas que medían dos pies de anchura por cuatro de longitud; dijéronme que era un plátano, pero a mí no me lo pareció, porque su copa no es abierta como la de esa clase de árboles, y me aseguraron también que no habían visto en él ni fruto ni simiente ; el color de las hojas es sumamente verde y su forma semejante a la del malvavisco.” [6]

E Navagero relata que “Dal l’altra parte del rio vi è il monasterio de las Cuevas di Certosini, che è posto in bellissimo sito, & è abondantissimo di Boschi, di naranzi, & limoni, & xedei, & mirti senza fine, il fiume che li corre appresso le mure del giardino, li da grandíssima gratia, & fa una loggia che há sopra l’acqua, bellissima, han poi una acqua viva di forte che par che non li manca cosa alcuna a quella compita bellezza, che puo haver un loco, bom grado hanno i frati che vivono li à montar de li al Paradiso.” [7]

[Do outro lado do rio está o mosteiro de las Cuevas dos Cartuxos, que está situado em um belíssimo local, muito abundante de bosques, laranjais e limões, e xedei e murtas sem fim, o rio que corre junto aos muros do jardim, dá-lhes uma enorme graça e faz uma loggia acima da água, belíssima, têm, pois, uma água forte e viva e porque não lhe falta nada nessa consumada beleza, não pode existir um lugar, bom grado têm os frades que ali vivem para subir ao Paraíso.]

Por seu lado, Alonso Morgado refere que o convento “se acabo de edificar en breve tiempo en lá forma que agora lo vemos. Cuya sumptuosidad, en lo que es edificio, y fabrica en todo particular de curiosidad y limpieza, es cosa admirable, y manjar dela vista, y espiritu.” [8]

E em 1570 escreve Mal Lara: a mano derecha, donde se desembarcó Su Magestad, y fue recibido del prior don Fernãdo de Pantoja, y los monjes y frayles de aquel religioso monesterio de Santa María de las cuevas, que es uno de los monesterios de magnificencia, religión y grandeza mayor que hay de la cartuxa, así en rentas y en edificios suptuosos, como en cuydado del culto divino, y loable recogimiento, que por no hacer demasiado volumen, y ocupar lo q se hizo de servicio subitamente adereçado, a lo que es perpetuo para los ojos de todos, lo dexo.” [9]

 

fig. 57- O Mosteiro de las Cuevas. Pormenor da pintura de Sanchez Coello. Sec. XVI, antes de 1588.

Finalmente Rodrigo Caro (1573-1647) descreve El Convento religiosissimo de las Cuevas, que es de la Orden de la Cartuja, y uno de los insignes de España, y raro exemplo de aquella Religion santa, esta situado sobre el Rio Guadalquivir, a la parte Occidental desta ciudad, ala vanda deTriana, fue fundación de don Gonzalo de Mena *, Arçobispo della: y tienen alli suntuosissimo entierro los señores Duques de Alcala.”  [10]

[*Don Gonzalo de Mena y Roelas (?- 1401), arcebispo de Sevilha entre 1394 e 1401.]

 

 Uma imagem do Mosteiro de las Cuevas vista de noroeste.

fig. 58 - Mosteiro de Santa Maria de las Cuevas. Cartuxa de Sevilha.

 [Nota - Todos os sublinhados a negrito (bold) são da minha autoria.]

Fim do Apontamento 10


[1] Andrea Navagero (1483-1529), Il Viaggio fatto in Spagna, et in Francia, dal Magnifico M. Andrea Navagiero, fu oratore dell’Ilustrissimo Senato Veneto, alla Cesarea Maesta di Carlo V. Com la descrittione particolare delli luochi, & costumi delli popoli di quele Provincie. In Vinegia apresso Domenico Farri. 1563. (pág. 14).

[2] Alonso Morgado, Historia de Sevilla en la cual se contienen sus antigüedades, grandezas y cosas memorables en ella acontecidas desde su fundación hasta nuestros tiempos, Compuesta y ordenada por Afonso Morgado, indigno Sacerdote, natural de la villa de Alcantara, en Estremadura. En la Imprenta de Andrea Perscioni y Ioan de Leon Sevilla 1587. (pág.411).

[3] Juan de Mal Lara, Recibimiento que hizo la muy noble y muy leal ciudad de Sevilla a la C. R. M. del Rey don Felipe N. S. Con una breve descripción de la ciudad y su tierra, impreso en Sevilla, en casa de Alonso Escrivano, en la calle de la Sierpe. Acabóse a veinte y nueve días del mes de Agosto. Sevilla Año de mil y quinientos y setenta. Sevilla 1570. (pág.15)

[4] Alonso Morgado, Historia de Sevilla en la cual se contienen sus antigüedades, grandezas y cosas memorables en ella acontecidas desde su fundación hasta nuestros tiempos, Compuesta y ordenada por Afonso Morgado, indigno Sacerdote, natural de la villa de Alcantara, en Estremadura. En la Imprenta de Andrea Perscioni y Ioan de Leon Sevilla 1587 (Libro segundo pág.119).

[5] Alonso Morgado Historia de Sevilla, en la cual se contienen sus antigüedades, grandezas y cosas memorables en ella acontecidas desde su fundación hasta nuestros tiempos, Compuesta y ordenada por Afonso Morgado, indigno Sacerdote, natural de la villa de Alcantara, en Estremadura. En la Imprensa de Andrea Fescioni y Iuan de Leon Sevilla 1587. (Libro Quinto, pág. 120v e 121).

[6] Jerónimo Münzer (1437-1508), Itinerarium siue peregrinatio excellentissimi viri artium ac vtriusque medicine doctoris Hieronimi Monetarii de Feldkirchen ciuis Nurembergensis (1495) in J. PUYOL, Jerónimo Münzer, Viaje por España y Portugal en los años de

1494 y 1495, in «Boletín de la Real Academia de la Historia», 84. Madrid 1924. (pág. 201)

[7] Andrea Navagero (1483-1529), Il Viaggio fatto in Spagna, et in Francia, dal Magnifico M. Andrea Navagiero, fu oratore dell’Ilustrissimo Senato Veneto, alla Cesarea Maesta di Carlo V. Com la descrittione particolare delli luochi, & costumi delli popoli di quele Provincie. In Vinegia apresso Domenico Farri. 1563. (pág. 14).

[8] Alonso Morgado, Historia de Sevilla en la cual se contienen sus antigüedades, grandezas y cosas memorables en ella acontecidas desde su fundación hasta nuestros tiempos, Compuesta y ordenada por Afonso Morgado, indigno Sacerdote, natural de la villa de Alcantara, en Estremadura. En la Imprenta de Andrea Perscioni y Ioan de Leon Sevilla 1587 (Libro V, pág.422).

[9] Juan de Mal Lara, Recibimiento que hizo la muy noble y muy leal ciudad de Sevilla a la C. R. M. del Rey don Felipe N. S. Con una breve descripción de la ciudad y su tierra, impreso en Sevilla, en casa de Alonso Escrivano, en la calle de la Sierpe. Acabóse a veinte y nueve días del mes de Agosto. Sevilla Año de mil y quinientos y setenta. Sevilla 1570. (pág. 15V).

[10] Rodrigo Caro (1573-1647), Antiguedades, y Principado de la Ilustrissima Ciudad de Sevilla y Chorographia de su Convento Iuridico, o Antigua Chancilleria.Por Andres Grande Impressor de Libros. Sevilla 1634. (Segunda parte pág. 69).