José
Dominguez Alvarez (1906-1942), sem título (outono), sem data. Têmpera sobre
papel 13,20 x 19,60 cm. Centro de Arte Moderna CAM fundação Calouste Gulbenkian.
Lisboa.
“Queira-se antes ventura que
aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.”
Vinicius de Moraes [1]
“viaje
hacia un mundo prometido, entrevisto,
al que
mi destino me convocaba
con muy dulce certeza.”
Vicente Alexandre [2]
É uma data que
importa porque nasci
saltemos dancemos por fim bebamos
para todo amor e amizade que eu vivi
um voto que
em dia lento renovamos
Este novo ano que começa
e se festeja
depressa passará
como os do passado
por quelhos vagabundos dúbia inveja
vertigem recuada de sonho acordado
Trôpego passo pela longa caminhada
ambíguo bafo
e pouco serena neblina
coloca a questão ansiosa
encurralada
A memória
que em mim trago perdida
canto e sopro em amarelecida cortina
será só rumor ou é um outono
na vida?
[1] Vinicius de Moraes (1913-1980). Soneto de aniversário (1942) in Poesia Completa e Prosa (org. Alexei Bueno). Nova Aguilar Rio de Janeiro 1998. (pág. 286).ou Vinicius de Moraes (1913-1980). Soneto de aniversário (1942)in Livro de Sonetos. Livros de Portugal editora S.A. Rio de Janeiro 1957. (pág. 68)
[2] Vicente Aleixandre (1898-1984), Mar del Paraiso. III de Sombra del Paraíso (1939-1943) (Adán, Madrid 1944).in Poesias Completas. Visor Libros. Malaga (pág. 521) ou Antologia de Vicente Alexandre. Selecção, tradução e prólogo de José Bento [1932-2019]. Editorial Inova, Porto 1977. (pág. 93).
Viagem para um mundo prometido, vislumbrado, / A que o meu destino me chamava com uma doce certeza





