terça-feira, 14 de julho de 2026

Aspectos da cidade do Porto em 1926 3 IV parte

 

As fontes de Energia no Porto dos anos vinte

1.4.  Electricidade

"A humanidade conseguiu, enfim, apoderar-se do segredo da aurora. A luz eléctrica metida num globo de porcelana, reduz toda essa fonte de poesia a um processo de extrema simplicidade, e dentro em pouco todos poderemos ter "o pálido astro da noite" ou  o "formoso astro do dia" - simples questão de abat-jour - no nosso quarto de dormir à razão de trinta reis a hora ! 

Guilherme de Azevedo (1839-1882) [1]

I - Imagens da Electricidade na esquina dos séculos XIX e XX (1880-1930)

Se o carvão, o petróleo e o gás eram (e são…) masculinos, a electricidade foi (e é…) feminina.

Mas a Electricidade, é um substantivo feminino, e por isso conduziu naturalmente os artistas a representa-la na forma de uma jovem mulher.

Assim, em 1880, Alfred Stevens, numa enigmática pintura, representa a Electrcidade como uma jovem que acaricia um gato no seu colo. Ao fundo uma paisagem urbana onde morcegos voam talvez fugindo da luminosidade dos candeeiros eléctricos.

 



Figura 1- Alfred Stevens (1823-1906) l´´Electricité 1880. Óleo s/tela 116 x 88cm. Musée des Beaux-Arts Jules Chéret, Nice.

 

Inodora, impalpável, inaudível, sem cheiro, sem chamas e em profundo silêncio, a Electricidade que aquece, ilumina e movimenta, é inicialmente representada alegóricamente por uma triunfante figura feminina.

A Electricidade, era então (e é ainda…) - para a maior parte da população - , uma energia invisível e misteriosa, "grandiosa figura metafísica, vestida com seda farfalhante e trémula, e além disso, nua, adornada com plumas e decorada com rios de diamantes!" [2] como foi representada por Edmond Morin, quando em 1881 se realiza em Paris a Exposição Internacional da Electricidade.

É a primeira vez que uma exposição internacional é inteiramente dedicada à electricidade e às suas aplicações. Simultaneamente realiza-se o I Congresso Internacional dos que se dedicam ao estudo e à produção da electricidade.

Sobre esta Exposição, o jornal Le Monde Illustré publica na capa uma esclarecedora imagem de Edmond Morin “La Reine d’aujourd’hui”, que ele próprio explica.



Figura 2 - Edmond Morin (1824-1882) La Reine d’aujourd’hui Le Monde Illustré n.º 1273 de 20 Agosto 1881

 

“A Rainha de Hoje

Não é a eletricidade, na verdade, a força que hoje domina o mundo pelo poder dos seus efeitos? Não admira que os antigos tenham dotado Júpiter de raios, esse elemento incompreensível que os cientistas modernos conseguiram roubar aos céus e fazer com que sirva as necessidades mais estranhas da humanidade.” [3]

E o jornal, sobre a Exposição comenta:

“Que magia tem este palácio nos Campos Elísios, onde reina a poderosa soberana! Não tentaremos desvendar os seus segredos hoje. Este é o tipo de artigo que não se escreve de improviso, ou, se quisermos, electricamente.

Mas tomámos posição ao publicar hoje a esclarecedora imagem do Sr. Edmond Morin, prometendo aos nossos leitores uma edição especial na qual tudo o que foi importante na Exposição da Electricidade será relatado pelos mais competentes especialistas, com ilustrações de apoio.


Assim, poderemos criar uma espécie de História da Eletricidade e lançar luz sobre aquilo que, para a pessoa comum, é apenas uma nuvem escura. Faremos com que brilhe, se possível, mas apenas considerando cuidadosamente os seus efeitos.” [4]

 


Figura 3 - Vue d’ensemble de l’Exposition Internationale de l’Electricité à Paris. In La Nature 9ème année n. º 430 de 27 Aout 1881 G. Masson Éditeur Librairie de l’Académie de Médecine Paris 1881 (pág.201).

 

Esta imagem da Electricidade como uma fada portadora de Luz, brilhando “numa nuvem escura irá ser diversas vezes reproduzida.


Na capa de um livro de divulgação e popularização da ciência de Alexis Clerc, assim é representada tendo na mão direita e na cabeça dois focos de luz e um farol ilumina o mar numa noite estrelada de lua crescente.


Figura 4 - Allégorie de la Lumière Gravure dans. (1841-1894)  «physique et chimie populaires  Les sciences mises à la portée de tous» Jules Rouff et C.ie, Éditeurs Paris 1881.

 

E figura ainda na capa da revista La Lumière Électrique de 1887.

Por entre nuvens uma figura feminina alada, o braço direito estendido segura na mão uma pequena fonte de luz, e no braço esquerdo os relâmpagos da electricidade natural. Na parte inferior dois putti (a Química e a Física) comunicam entre eles por meio de rádio telefones.

 


 

Figura Fada elétrica na capa da revista La Lumière Électrique. Journal Universel d’Electricitè. N. º 1 Samedi le 1 de Janvier 1887. Tome ving-troisième Aux Bureaux du Journal, Paris 1887.

 

Em Paris, com a aproximação da Exposição Universal de 1889, comemorativa do centenário da Revolução Francesa, a Câmara Municipal, sob pressão da opinião pública, decide criar uma rede de distribuição de eletricidade.

Estabelecem-se "sectores elétricos parisienses", cujas concessões foram atribuídas pela Câmara Municipal a seis empresas fornecendo eletricidade até ao final de 1907.


Para esta Exposição Universal de Paris de 1889 - marcada pela inauguração da Torre Eiffel - é criada uma escultura alegórica representando a Electricidade junto ao edifício da Galeria das Máquinas.

 

Figura 6 - Louis-Ernest Barrias (1841-1905). L’Électricité. Galerie des Machines Exposition Universelle 1889. Paris 1889.

Louis Barrias representa a Electricidade por duas figuras femininas de corpo nu, encostadas ao globo terrestre cinturado pelos signos do Zodiaco.

A figura feminina, mais velha, um corpo mais pesado e cansado, aponta um relâmpago simbolizando a Electricidade natural e atmosférica. Silenciosa, discreta, invisível, mas tão formidável quanto poderosa, no relâmpago que arde e destrói.

A figura feminina mais jovem representa a nova electricidade artificial, criada pelo homem, sendo significativo ter sido colocada aos pés de ambas, uma pilha de Volta [5]

E em 1899, na gare de Lyon em Paris, antecipando a Exposição Universal de 1900  – o escultor Paul Gasq representa a  Electricidade, numa composição triangular em baixo-relevo [6] onde uma figura feminina semi-nua tem na mão direita um gerador (a electricidade artificial) e na mão esquerda um relâmpago (a electricidade natural).

 


Figura 7 - Paul Gasq (1860-1944), L’electricité 1899 Gare de Lyon Paris.


E ainda na escultura de influência Arte Nova, Leo Charles representa a Electricidade como uma elegante figura feminina, tendo na mão esquerda uma lâmpada incandescente e na mão direita um tridente com três isoladores ligados a um dínamo Edison que se encontra a seus pés.

 


 


 Figura 8 - Charles Octave Levy (1840-1899) (Leo Charles), Statuette allégorique de l’électricité 1880 Régule (estanho e antimónio), H : 82 x L : 27 cm. Musée Electropolis Mulhouse Alsace.  

 

E a publicidade também se apropria desta figura feminina para representar a Electricidade como nos cartazes de Lucien Lefèvre.


Figura 9 - Lucien Lefèvre (1850-c.1902) Electrine Éclairage de Luxe 1895 litografia 184 x 88 cm. In « Les Maîtres de l’Affiche publication mensuelle contenant la reproduction des plus belles affiches illustrées des grands artistes français et étrangers :». Pl. 55 n. º 12 Nov. 1897 2º Vol. Chaix. : éditée par l'imprimerie et Librairie Chaix. Paris1897.Gallica BnF

 Francisco Tamagno em 1900, também produz um cartaz com a “fada eléctrica” embora surja já um motor e no cartaz diversas aplicações da electricidade. (máquina de costura, ventoinha, fogareiro, rotativa, tear, serra eléctrica, roda de amolador e candeeiros).


Figura 10 - Francisco Tamagno. (1851–1933) Cartaz com fada elétrica, 1900. Affiches Camis. Paris. Museu de Moscovo.

 

E umm curioso sistema de iluminação de uma galeria de arte.

 


Figura 1 -Éclairage électrique par le système Maxim. Galerie de tableaux de l’Union League Club à New York in Nature n. º 426 de 30 Julho 1881. (pág.137).

 

Mas é a Exposição Universal de Paris de 1900, que representa o triunfo da Electricidade e do seu futuro e por isso é-lhe então dedicado todo um Palácio, que se tornou aliás, uma das grandes senão a maior atracção da Exposição.

O conjunto do Palais de l’Électricité  projectado por Eugene Hénard (1849-1923) e complementado pelo grandioso Chateau d’Eau projetado por Edmond Paulin (1848-1915), profusamente iluminados, constituia o remate do Champ de Mars, no enfiamento da Torre Eifell.

 


Figura 12   – O Champ de Mars tendo ao fundo o Palais de l’Électricté e o Chateau d’Eau 33 do Álbum  Souvenir of the  Paris Exposition 1900 PhotoGlob Co. Zürich (pág.33). Getty Research Institute.

No topo do Palais de l’Électricité,  uma escultura de Laurent Marqueste (1848-1920), que num primeiro esboço representava a Electricidade por uma figura feminina de pé sobre um carro puxado por dois hipogrifos e brandindo o facho do Progresso.

 


Figura 13 – Laurent Marqueste (1848-1920), l’Électricité, project pour le Palais de l’Électricité 1900. World Fairs Info.

Acabou por ser um Génio da Electricidade que foi colocado no topo do edifício mantendo os hipogrifos.

 



Figura 14 - Laurent Marqueste (1848-1920), l’Électricité Pormenor de Vue du Palais de l'électricité 1898-1900. BnF, Philosophie, histoire, sciences de l'homme, 2012-121832 Bibliothèque nationale de France.

 Como então afirma o Comissário da Exposição Alfred Picard, a escultura o “Génio da Electricidade, que domina este conjunto de edifícios e a glória que o rodeia, será mais uma visão deslumbrante a juntar às outras. O Génio será feito de metal, de chapas de zinco repuxadas (...) e os raios serão formados por placas de vidro, montadas numa estrutura metálica; tudo será como uma imensa lanterna iluminada internamente por potentes fontes de luz.” [7]


No século XX

A Electricidade, como uma energia poética e carregada de vital criatividade, era capaz de nos modificar os afazeres quotidianos, de nos alterar o pensamento, como diz o poeta Henri Allorge: 

“Enfim quem sabe se esta humilde parcela

Da suprema Inteligência universal,

A que chamo Pensamento e que faz o meu orgulho,

Não és tu, pura Eletricidade,

Que na minha frágil carne soltaste a tua faísca? [8]

 No início do século XX, a energia elétrica ia-se tornando, então, uma das principais responsáveis pelas transformações na vida quotidiana. Era cada vez mais a produtora de força motriz, de calor e dos meios de transporte e de comunicação.

A iluminação pública eléctrica vai substituindo o incómodo gás. A Electricidade ilumina a vida nocturna e festiva.



Figura 15 - Adriano Sousa Lopes le moulin rouge (noite), c. 1910. Óleo sobre madeira 27 × 35 cm. MNAC – Chiado.

O escritor e poeta Jules Romains escreve um longo poema referindo a iluminação eléctrica:

 “O presente vibra.

No topo do boulevard, o crepúsculo humano

Cristaliza-se num arco elétrico. Um som ténue

pisca. A corrente, que tenta teimosamente passar

agarrando-se aos emaranhados de moléculas, sangra.

Os arrepios do éter explodem de forma abrupta.

A multidão na calçada recuperou a confiança.

A sombra apelou aos corações e levou-os a dançar

ao som de canções lânguidas ou obscenas,

longe, na solidão e na recordação.

Agora, a luz traça uma arena de circo;

Os ritmos giram ali por um instante, subjugados;

As almas que até então se escondiam, soltam-se

para mergulhar as suas bordas paralelas e nuas

na claridade. (…)" [9]



 
Figura 16 - Max Beckmann (1884 - 1950), Street at night (1913). Óleo s/tela 70 x 90 cm. Col. particular.

 

Em Berlim o café Bauer, por possuir um gerador próprio, foi dos primeiros estabelecimentos a ser iluminado por lâmpadas eléctricas.



Figura 17 - Lesser Ury (1861-1931), Café Bauer, Berlin 1888/1889. Óleo s/tela estendida sobre cartão. 71,9 x 49 cm. Col. particular.

 

 A electricidade na pintura moderna

 A pintura moderna procurava representar a Electricidade, com uma compreensão mais correcta e científica, abandonando a alegoria. Mas, na impossibilidade de a pintar – tal como o vento - representa-a pelos seus efeitos ópticos.

Assim o compreenderam os Futuristas que no seu Manifesto afirmavam que “cantaremos o vibrante fervor nocturno dos arsenais e estaleiros incendiados por violentas luas eléctricas…”  [10]

 Giacomo Balla na sua pintura de 1909, representa o brilho e o encandeamento da luz eléctrica de um candeeiro, sobrepondo-se e empalidecendo a romântica luminosidade da Lua, de acordo com o grito de Marinetti: “Uccidiamo il chiaro di Luna[11]

 



Figura 18 - Giacomo Balla (1871-1958), lâmpada al arco 1909, óleo s/ tela 174,7 x 114,7 cm. Museum of Modern Art (Moma) N.Y.

 E, precisamente no ano de 1926, já num segundo Futurismo, Fortunato Depero procura numa “composição luminosa” toda a dinâmica da energia eléctrica nos seus diversos aspectos. Assim coloca no centro da composição um dinâmico foco de luz, entrelaçado com um relâmpago, por entre casas e edifícios, postes e fios de electricidade e um touro evocando a poderosa energia.

Esse raio inicia-se por uma figura estranha do lado direito, que corre por entre grandes labaredas como se fossem asas, braços abertos tendo uma lâmpada no peito.

O relâmpago prossegue iluminando uma figura de braços abertos numa janela e termina numa figura que jaz estendida fulminada pela perigosa electricidade natural.



Figura 19 - Fortunato Depero,(1892-1960). Fulmine Compositor, 1926.óleo s/tela 117 x 115 cm. Casa Depero, Rovereto Italia.

E em Paris, cidade que em 1914 é finalmente abastecida de electricidade pela Conpagnie Parisienne de Distribution d’Electricité (CPDE), Sónia Delaunay, numa série de pinturas apelidadas de “prismas eléctricos”, procura representar, com círculos de cores primárias e secundárias, os efeitos lluminosos e a vibração intensa do encandeamento produzido pelas luzes agora eléctricas.



Figura 20 - Sónia Delaunay, Prismes électriques. 1914. Huile sur toile 250 x 250 cm. Centre Georges Pompidou Paris.

No quadro aparece o nome de Cendars, uma homenagem ao escritor e poeta Blaise Cendars (1887-1961), o autor de La Prose du Transsibérienfrequentador da casa dos Delaunay. 

 


Figura 21 – Sonia Delaunay. Pormenor do quadro Prismes électriques. 1914.

 

A electricidade como unificação do território

A Electricidade transmitia a ideia de uma circulação secreta e silenciosa, com incrível velocidade, dando a impressão de que podia atingir, quase instantaneamente, todos os pontos de uma cidade, de um país, de um território, recuperando uma unidade nesses tempos singularmente fragmentados.

 Compreendendo essa capacidade da energia eléctrica de uniformizar e unir todo o imenso e vasto território da então formada União Soviética, Lénine [12] no VIII Congresso dos Sovietes em 1920, afirma que “o comunismo são os sovietes por todo lado mais a electrificação do país”.

 



Figura 22 - Gustav Klutsis (1895-1938), "Electrification of the entire country" 1920. Cartaz.




Figura 23 - Alexander Samokhvalov (1894-1971), Lenine e a Electrificação a fundação de um novo mundo. 1924 Tate Gallery.


 

Figura 24 - Fotomontagem de propaganda soviética intitulada "Dnieproges - Monumento a Lénine", In “URSS em Construção”, revista mensal fundada por Maxim Gorky (1868-1936) e publicada entre 1930 e 1941. Apresenta Lenine e a barragem de Dnieper e na legenda em russo “o comunismo são os sovietes por todo lado mais a electrificação do país”.

 

CONTINUA


[1] Guilherme de Azevedo Chronica Occidental in Occidente 15 de Novembro 1878. (pág. 170). e Joel Serrão (1919-2008), Temas Oitocentistas II, Edições Ática, Lisboa 1959. (pág. 193).

[2] Francis Ponge (1899-1988) «grande figure métaphysique, vêtue de soie bru issante et frémissante, et d'ailleurs nue, coiffée d'aigrettes, parée de rivières de diamants!» Texte sur l’électricité in La Nouvelle Revue Française n°31, 1er juillet Paris, 1955.

[3] Edmond Morin (1824-1882) La Reine d’aujourd’hui Nos gravures in Le Monde Illustré n.º 1273 de 20 Agosto 1881. (pág.118).

«  La Reine d'aujourd'hui

 L’Électricité n’est elle pas, en effet, la force qui domine le monde aujourd’hui par la puissance de ses effets ? Il n’est pas étonnant que les anciens aient armé Jupiter de la foudre, cet élément incompréhensible que les savants modernes ont su dérober au ciel en le faisant servir aux plus étranges besoins de l'humanité. »

[4] Nos Gravures in Le Monde Illustré n. º 1273 de 20 Agosto 1881 (pág.118).

« Quelle magie que ce palais des Champs-Elysées, où trône la puissante souveraine! Nous n'essayerons pas d'en donner aujourd'hui la clé. Ce sont de ces articles qu'on ne saurait écrire au vol, ou, si l'on veut, électriquement.

Mais nous prenons position en publiant aujourd'hui l'image lumineuse de M. Edmond Morin, promettant à nos lecteurs un numéro spécial où tout ce qu'il y a d'important à l'Exposition de l'électricité, sera relaté par les hommes les plus compétents avec des dessins à l'appui.

Nous pourrons ainsi faire une sorte d'Histoire de l'Électricité et mettre en lumière ce qui, pour le commun des mortels, n'est qu'un nuage obscur. Nous en ferons jaillir la foudre, si possible, mais en en mesurant les effets.”

[5] Alessandro (Giuseppe Anastasio) Volta (1745-1827) físico italiano seu inventor.

[6] Os outros baixo-relevos representam a Navegação e o Vapor de Felix Charpentier (1858-1924), e a Mecánica de Louis Baralis (1862-1930).

[7] Quant au Génie de l’électricité, qui domine ce groupe d'édifices et à la gloire qui l’entoure, ce sera un éblouissement de plus à ajouter aux autres. Le Génie sera en métal, en feuilles de zinc repoussé (…) les rayons seront formés de lames de verres, montés sur une armature métallique; ce sera comme une immense lanterne éclairée intérieurement par de fortes sources lumineuses.

Alfred Picard (1844-1913), engenheiro e Comissário geral da Exposição Universal de 1900, in L’Exposition de Paris (1900) Tome I Librairie Illustrée, Mofltgrediefl et Cie. Éditeurs, Paris 1900 (pág.102)

[8] Henri Allorge (1878-1938), l’électricité in Petits poèmes électriques el scientifiques. Librairie Académique Perrin. Paris 1924. (pág. 35).

 « Enfin, qui sait si cette humble parcelle

De la suprême Intelligence universelle,

Que j'appelle Pensée et qui fait ma fierté,

Ce n'est pas toi, pure Electricité,

Qui dans ma chair fragile as mis son étincelle ? »

[9] Jules Romains (1885-1972) Le présent vibre. In La Vie Unanime (poème). Mercure de France Paris 1913. (pág. 79).

En haut du boulevard le crépuscule humain

Se cristallise en arc électrique. Un bruit mince

Frétille. Le courant, qui s'acharne à passer

Et s'accroche aux buissons des molécules, saigne.

Les frissons de l'éther partent en trépignant.

La foule du trottoir a repris confiance.

L'ombre appelait les coeurs et les menait danser

Sur des airs de chansons alanguis ou obscènes,

Loin, dans la solitude et dans le souvenir.

Or, la lumière trace une piste de cirque ;

Les rythmes un instant y tournent, subjugués;

Les âmes qu'on cachait tantôt, on les dégaine

Pour tremper leurs tranchants parallèles et nus

Dans la clarté (…)

[10] “canteremo il vibrante fervore notturno degli arsenali e dei cantieri, incendiati da violente lune elettriche…” do Manifesto Futurista 1909. (ponto 11)

[11] Matemos o Luar obra Filippo Tommaso Marinetti (1876-1944) Uccidiamo il chiaro di luna. Edizioni Futuriste Milano 1911. (pág. 16).

[12] Vladimir Illitch Oulianov (1870-1924).