Para onde caminham as cidades?
Geoffrey Johnson (n.1965), Study –Figures IX”
72 14 x 11, oil on board. Col. Particular.
“jà os soberbos edifícios deixarão poucas terras
para lavrar ao arado de hua,
& outra parte
mais largamente serão
vistos.”
Horacio [1]
ESVAZIAMENTO
“Cidade
grande: dias sem pássaros, noites sem estrelas.”
Mario Quintana [2]
“Asfaltos. Vastos, altos
repuxos de poeira
Sob o arlequinal do céu
ouro-rosa-verde...
As sujidades implexas do urbanismo. (...)”
Mário Andrade [3]
Na súbita inquietação no
olhar do longe ausente
multidões de apressados
pensativos e cinzentos
navegam por onde voa aquela poeira muda e suja
espera dos momentos tristes
em cansaços lentos
navegam para o além do
seguro que não alcança
irrompendo os círculos perfeitos do dia e do
ano
enfunada violência da cidade
em tristeza branca
uma sorte com que se desengana todo o engano
com as novas coisas que
aparecem em cada dia
esta a cidade que diferente
está como hoje a vês
cantando triunfos com
luzentes flores de alegria
tem formas banais
em gestos ousados atrevidos
essas novidades que com
alvoroço se saudaram
são
os falsos ideais e mundos para ela vendidos
[1]
“Iam pauca aratro iugera
regiae.../ holes relinquent ; undique latius “ Horácio
Ode XV ao luxo do seu século Liber II “Iam pauca aratro iugera regiae.../ holes
relinquent ; undique latius in
Obras de Horacio Prnicipe dos Poetas Latino
Lyricos, com o entendimento literal, & construção Portuguesa, Ornadas de
Hvm Index Copioso das historias, & Fabulas contendo nellas. Na Officina de Miguel
Manescal, & à sua custa Lisboa M.DC.LXXXI (pág.54). Biblioteca Nacional.
José Agostinho de Macedo (1761-1831), traduz estes versos de Horacio por: “Os Palácios Reaes já deixão poucas / geiras de terra ao Lavrador cançado…” In Obras de Horacio traduzidas por José Agostinho de Macedo (1761-1831). Tomo I. Liber II Na Impressão Regia Lisboa Anno 1806 (pág. 80).
[2] Mário Quintana (1906-1994) Esvaziamento in Poesia completa Organização, preparação do texto, prefácio e notas: Tania Franco Carvalhal Editora Nova Aguilar Rio de Janeiro 2006. (pág. 238).
[3]
Mário Andrade
(1893-1945), O Domador de Paulicéia
Desvairada (1922) in Poesias Completas edição crítica de Diléo Zanotto Manfio
Editora da Universidade de São Paulo Editora Itatiaia Belo Horizonte1987. (pág.
92).




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