inquietante silêncio ingrato do poder
“O palácio está em ruinas… Dói ver no parque o abandono
Da fonte sem repuxo… Ninguém ergue o olhar da
estrada…”
Fernando
Pessoa [1]
sem aquele choro suave das torrentes
nem brilho doce no baço dos espelhos
antigas águas correndo transparentes
imprevistas veredas de pinhais velhos
o lamentoso palacete ora abandonado
jardim d’outrora
corrompido por justiça.
do esquivo encanto da fonte arruinada
somos todos os culpados por preguiça
o mistério
é descobrir as consonâncias
de engenhosos ignorantes tão sabidos
os saturados ritmos e as ressonâncias
dos que afirmam
sempre não se saber
porque desencantam
locais esquecidos
no
inquietante silêncio ingrato do poder
[1]Fernando
Pessoa (1888-1935) Hora Absurda (1913) Obra Poética
Companhia Aguilar Editora Rio de janeiro 1965. (pág. 109)
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