segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

inquietante silêncio ingrato do poder



Tristram Hillier (1905-1983) The Fountain and the Ruin, Alpedrinha, 1960. Óleo s/ tela 61,6 x 82,6 cm. Art UK.


inquietante silêncio ingrato do poder


“O palácio está em ruinas… Dói ver no parque o abandono

Da fonte sem repuxo… Ninguém ergue o olhar da estrada…”

Fernando Pessoa [1]

 

sem aquele choro suave das torrentes

nem brilho doce no baço dos espelhos

antigas águas correndo transparentes

imprevistas veredas de pinhais velhos

 

o lamentoso palacete ora abandonado

jardim d’outrora corrompido por justiça.

do esquivo encanto da fonte arruinada

somos todos os culpados por preguiça

 

o mistério é descobrir as consonâncias

de engenhosos ignorantes tão sabidos

os saturados ritmos e as ressonâncias

 

dos que afirmam sempre não se saber  

porque desencantam locais esquecidos

no inquietante silêncio ingrato do poder



[1]Fernando Pessoa (1888-1935) Hora Absurda (1913) Obra Poética  Companhia Aguilar Editora Rio de janeiro 1965. (pág. 109)

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