Edme-Jean Pigal (1794-1872) des. Pierre
Langlumé (1790-1830) imp. Il Dolce far
niente, litografia 32, 2 x 27 cm. Planche n. º 1 do Album Rome Affaires du
Jour 1828. Gihaut
Frères éditeur. Musée Carnavalet Paris.
“Um murmúrio de
omissões, um cântico do ócio.
Eu vou contigo, voz silenciosa, voz serena.”
António Ramos Rosa [1]
“Ai que prazer / Não cumprir um dever…”
Fernando Pessoa [2]
Na
preguiça deixei-me ficar
dos
esforços inúteis isento
vivendo a modorra familiar
do
segredo dúbio do tempo
paralítico remorso da
idade
dia aberto e depois fechado
injusta
poeira e maturidade
luzidio repolho do passado
azulada
gramática do viver
iluminada
no acontecendo
lúcida
cabriola sem se ver
voo
íntimo e desconhecido
salto
de risco sem lamento
ânsia
em círculo escondido
[1]
António Ramos Rosa (1924-2013), O Jardim de
Volante Verde. (1986). In Obra Poética I. Assírio &
Alvim-Porto Editora 2018. (pág. 1073).
[2]
Fernando Pessoa (1888-1935)
Liberdade, (1935. 1.ª publicação: Seara Nova, n.º 526,
Lisboa, 11 de Setembro de 1937). In Fernando Pessoa Obra Poética
Companhia Aguilar Editora, Rio de Janeiro 1965. (pág. 188)

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