sábado, 4 de julho de 2026

Poema do arquitecto 12

 autonomia

 



 Mario Sironi. 1885-1961. "Figura e architettura", ca. 1933 disegno carta / biacca, matita, pittura a tempera 15 x 21 cm. Lombardia Beni Culturale.

 

“De mi voz un suspiro,

de mi mano un rasgo

es quien te informa

a su oscura materia le da forma”.

Pedro Calderón de la Barca. 1     

 

“Todos os dias estarás refazendo o teu desenho.
Não te fatigues logo. Tens trabalho para toda a vida.”

Cecília Meireles 2

 

Desde os hesitantes e obscuros pri­meiros traços,

a obra vai reclamando uma vida de total autonomia

assim ir passo a passo paulatinamente fomentando

desenvolvimento próprio e a visível inerente poesia.

 

Cada etapa do teu projecto contem cavadas rugas

indeléveis cicatrizes que ficaram da lenta elaboração

e no desenho deixaram como feridas todas as lutas

na difícil tarefa d’alcançar a unidade da com­posição.



[1] Pedro Calderón de la Barca (1600-1681), “El gran teatro del mundo”. Poesia Completa, Publicaciones de la Residencia de estudantes, serie IV. Vol 7. Madrid 1917. (pag.229).

[2] Cecília Meireles (1901-1964), Desenho de O estudante empírico (1959-1964 in Poesia Completa Livro 2, organização de Antonio Carlos Sechin. Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro: 2001. (pág. 1455).

 

 

 

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