[4] Gil
Vicente (c.1465-c.1536), Não damores,
in Copilaçam de todalas obras de Gil Vicente, a qual se reparte em cinco
Livros. Empremiose em a muy nobre, & sempre leal Cidade de Lixboa, em casa
de Ioam Alvarez impressor del Rey nosso senhor. Anno de M. D. LXII. (Livro
terceiro, pág. CLXVII).
As embarcações na Crónica de D. Afonso Henriques
Nas imagens de Lisboa, por entre diversos tipos de embarcações, são salientadas as naus e galeões de longo curso.
As naus dos finais do século XVI eram navios de grande calado, de três e quatro mastros, com aparelhos redondos e velas latinas, altos castelos de popa, aptos para transporte de grandes cargas, mas, simultaneamente, prontos para combates navais.
Na imagem do início de Quinhentos, da Crónica de
D. Afonso Henriques, entre duas naus navegam 3 caravelas latinas de dois mastros,
utilizadas em viagens de médio curso ou como apoio a armadas de naus ou
galeões. Estão representadas duas sétias (galés) e diversos bergantins.
fig. 11
– Pormenor do frontispício da Chronica do Muito Alto e Muito Esclarecido
Príncipe D. Afonso Henriques, Primeiro Rey de Portugal. 1508.
Na Genealogia dos Reis de Portugal
fig. 12
- Simon Bening (1483 – 1561) e António d’Olanda (1480-c.1558?), Pormenor de Tavoa Primeira
dos Reys, Tronco do conde D. Anrique, 1530/34, Fólio 7r da "Genealogia dos Reis de
Portugal", MS. 12531, British Library.
À esquerda, duas naus vistas de proa e de popa, as
velas enfunadas.
Duas galés.
Três naus com o velame recolhido.
Uma embarcação com um só mastro.
Duas caravelas com duas latinas e uma com apenas
uma latina.
As embarcações no Prospecto de Lisboa da Biblioteca de Leiden
No Prospecto
de Lisboa o anónimo autor desenha, com minuciosos detalhes, as naus que
navegam ou estão ancoradas no Tejo, por entre outras embarcações menores.
fig. 13 – Anónimo. Prospecto de Lisboa c.1530, com as
embarcações numeradas de 1 a 9, sobre o desenho em 17 folhas, pena e aguada,
cor, 75 x 245 cm. Leiden University Libraries.
As embarcações da esquerda para a direita:
1 - Uma nau, vista de bombordo, ancorada e com o
velame recolhido.
fig. 14
- Pormenor do desenho da Biblioteca da Universidade de Leiden.
2 – Uma nau ancorada
vista pela proa.
fig. 15
- Pormenor do desenho da Biblioteca da Universidade de Leiden.
3 – Outra nau, vista de bombordo, com o velame
recolhido.
fig. 16
- Pormenor do desenho da Biblioteca da Universidade de Leiden.
4 – Uma nau navegando a todo o pano, na direcção
do espectador.
fig. 17
- Pormenor do desenho da Biblioteca da Universidade de Leiden.
5 – Uma nau ancorada vista de perfil e onde
marinheiros se ocupam da sua manutenção.
fig. 18
- Pormenor do desenho da Biblioteca da Universidade de Leiden.
6 – Uma nau navegando, a todo o pano, rumo ao sul.
fig. 19
- Pormenor do desenho da Biblioteca da Universidade de Leiden.
7 – Uma nau, fortemente armada, vista de bombordo
e navegando, a todo o pano, para poente.
fig. 20
- Pormenor do desenho da Biblioteca da Universidade de Leiden.
8 – Outra nau, onde também se notam os canhões, navegando
a todo o pano, hasteando a bandeira portuguesa.
fig. 21
- Pormenor do desenho da Biblioteca da Universidade de Leiden.
9 – A Vista de lisboa da Biblioteca de Leiden
mostra ainda uma caravela latina de três mastros, armada com peças de fogo.
fig. 22
- Pormenor do desenho da Biblioteca da Universidade de Leiden.
A nau Santa
Catarina de Monte Sinai
Para melhor se compreender os navios desta época, uma conhecida pintura de Joachim Patinir (c.1480-1524), em que se vê, em primeiro plano, à popa e em
pormenor, uma nau dos finais do século XV e início do século XVI, com todo seu
velame.
fig. 23
- Joachim Patinir (c.1480-1524), Portuguese carracks off a rocky coast c. 1540 National
Maritime Museum Greenwich London.
Esta nau das Índias
seria a Santa Catarina de Monte Sinai,
rodeada por três outras naus e uma galé, no que se julga ser o desembarque em
Nizza (Nice), em 1521, da princesa Beatriz de Portugal (1504-1538) filha de D.
Manuel I, que embarcou no Santa Catarina do Monte Sinai para o seu casamento
com Carlos III o Bom, (1486-1553), Duque de Sabóia de 1504 a 1553.
Garcia de Resende
refere e situa no tempo a partida de D. Beatriz, em 1521.
“E ao sabado polla manhã dia de sam Lourenço
dez dias do dito mes dagosto do dito anno de mil & quinhentos & vinte
hum ãnos a senhora iffante com toda a frota de sua armada partio & sayo de
foz em fora& fez sua viagem. Que prazeraa a nosso senhor Deos ser tâto por
seu bem & descanso quanto elrey seu pay & a senhora raynha o principe &
hos iffantes seus irmãos & ela mesma desejã & todos desejamos. Amê.”
E Gil Vicente (c.1465-c.1536), entre os diversos
festejos então organizados, escreve uma peça “Cortes de Jupiter” que o próprio autor refere ter sido “feyta ao muyto alto & poderoso Rey dom
Manoel o primeyro em Portugal deste nome, aa partida da illustríssima senhora infante dona Beatriz duquesa de
Saboya, da qual sua invenção he, que o senhor deos querendo fazer merce aa
dita senhora, mandou sua providencia por mensageira a Iupiter rey dos
elementos, que fizesse cortes em que se concertassem planetas sinos em favor de
sua viagem. Foy representada nos paços da ribeyra na cidade de Lixboa. Era de
M.D.XIX.”
[2] Gil
Vicente (c.1465-c.1536), Cortes de Júpiter, no Livro Terceyro da Copilaçam de
toda las obras de Gil Vicente, a qual se reparte em cinco livros. Foy impresso em
a muy nobre, & sempre leal cidade de Lisboa, por Andres Lobato. Anno M.D.
LXXXVI. BND. (pág. 193).
As embarcações na imagem de Lisboa do Civitates de 1572
fig. 24
– Navios no Tejo. Pormenor de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590) Olisipo, sive ut
persetustae lapidum inscriptiones habent, Ulysipo, vulgo Lisbona Florentissimum
Portugalliae Emporiv 1572. Civitates Orbis Terrarum Vol. I 1572.
No centro da
imagem destacam-se duas naus e, junto ao cais, uma galé.
A nau da
esquerda, de três cobertas, tem apenas arvorada a vela redonda do traquete (o
mastro pequeno), e a gávea do mastro de proa recolhida.
No mastro
grande estão recolhidas as redondas: a vela grande e a gávea.
Estão também
recolhidas a latina da mezena (o mastro de popa) e a cevadeira (no mastro
horizontal da proa.
Um escaler
está junto da nau enquanto outros remam para terra, no que parece ser um
desembarque.
fig. 25
– Uma nau
de 3 mastros. Pormenor de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg
(1535-1590) Olisipo, sive ut persetustae lapidum inscriptiones habent, Ulysipo,
vulgo Lisbona Florentissimum Portugalliae Emporiv 1572. Civitates Orbis
Terrarum Vol. I 1572.
A outra nau com 3 cobertas, com dois mastros à popa (mezena e
contra-mezena), e por isso, por muitos chamada de galeão.
Apresenta uma espécie de esporão de ataque na proa, e está fundeado e
ancorado, aparentemente sem ninguém a bordo.
fig. 26
- Uma outra
nau com dois mastros de mezena. Pormenor de Georg Braun
(1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590) Olisipo, sive ut persetustae lapidum
inscriptiones habent, Ulysipo, vulgo Lisbona Florentissimum Portugalliae
Emporiv 1572. Civitates Orbis Terrarum Vol. I 1572.
Um escaler
com quatro remadores transporta para terra três personalidades, com um desenho
mais detalhado na versão da gravura de Sebastien Münster.
fig. 27
- Sebastien Münster, Pormenor de
Lisbona. Xilogravura 26 x 33 cm. Cosmographey oder beschreibung aller Länder"
1598 Basel. BND.
Os navios no Tejo na Lissabon
do Civitates de 1598.
fig. 28
– O Tejo e a zona ribeirinha de Lisboa. Pormenor de Georg Braun (1542-1622) e
Franz Hogenberg (1535-1590), Lissabon in Civitates Orbis Terrarum 1598.
Dos vários navios escolhemos os dois do primeiro
plano.
Uma nau e um galeão fundeados com o velame recolhido.
fig. 29
– Pormenor de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590), Lissabon in Civitates Orbis Terrarum 1598.
E uma outra
nau com quatro mastros (como se disse, que alguns chamam de galeão), também
fundeada e toda embandeirada.
fig. 30
- Pormenor de Georg Braun (1542-1622) e Franz Hogenberg (1535-1590), Lissabon in Civitates Orbis Terrarum 1598.