sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Poema do Arquitecto 15

 

luz que abre a matéria escura

Álvaro Siza, Carlos Castanheira, Art Pavilion in Say Park 2018. Coreia do Sul. Fotografia de Fernando Guerra.


“Cada vão fechado, cada local coberto,
qualquer que seja o material que o limite,
se mantem a noite, enquanto o dia vive,
contraria o sol e o seu luminoso apetite.”  
Michelangelo di Lodovico Buonarroti [1]

“El sol no supo de su grandeza hasta que incidió sobre la cara de un edificio.” Louis Khan [2]

O quanto perco em luz conquisto em sombra / e é de recusa ao sol que me sustento.” Carlos Pena Filho [3]

« L'architecture est le jeu savant, correct et magnifique des volumes assemblés sous la lumière. » Le Corbusier [4]


 Iluminante iluminada e luminosa

“luz e sombra, o muro e o espaço” [5]

a luz que cai a pique como chuva

perdida pelo mundo n’um abraço

 

luz com sua sombra e penumbra

ora tímida ora feroz pelo cinzento

escava na matéria abrindo poças

radiante de frescura e movimento

 

luz inquieta clara límpida e segura

escorrendo sombras mansamente

luz eterna amante na noite escura


mistério claro e luz de pedra dura

harmonia oblíqua gritando pelo ar

matéria cinzel a fazer arquitectura



[1] Michelangelo di Lodovico Buonarroti (1475-1564),

“Ogni van chiuso, ogni coperto loco,
quantunche ogni materia circumscrive,
serba la notte, quando il giorno vive,
contro al solar suo luminoso gioco.”  
de Rime 1623 in Le Rime di Michelangelo Buonarroti, pittore, scultore, architetto e poeta Fiorentino. Testo di Lingua Italiana 1817. (pág. 249).

[2] Louis Isidore Kahn (1901-1974). Conferencia: “La materia es luz consumida“ in Alessandra Latour, Louis. I. Kahn: escritos, conferencias y entrevistas. El Croquis Editorial, Madrid 2003. (pág. 197)

[3] Carlos Pena Filho (1929-1960), Soneto in Livro Geral. Livraria São José 1959. Livro Geral Poemas (Organização de Tânia Carneiro Leão) Edição da Organizadora, Recife, 1999 2ª edição (pág.63).

[4] Le Corbusier (1887-1965), in Vers une architecture. (1923). Nouvelle édition revue et augmentée, Les Éditions G. Crès et Cie. Paris 1924. (pág.16).

[5] Le Corbusier, “lumière et l’ombre, le mur et l’espace.” in Vers une Architecture (1923). Nouvelle édition revue et augmentée, Les Éditions G. Crès et Cie. Paris 1924. (pág.143).

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